Na sua primeira manifestação pública após a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na última terça-feira (15), o ministro Kassio Nunes Marques afirmou que “não é preciso alterar o tom para ser ouvido. A delicadeza e a gentileza também têm força”.
A declaração do membro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi dada durante a abertura da sessão da Corte Eleitoral realizada na manhã de quinta-feira (17).
A fala ocorreu no contexto da despedida do ministro Antônio Carlos Ferreira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que participava de sua última sessão na Corte Eleitoral. “A música popular brasileira, especialmente a bossa nova, nos ensina que elegância é avessa ao excesso”, afirmou Nunes Marques, em referência ao colega.
A declaração de Nunes Marques foi sua primeira manifestação pública após a sessão do STF em que os ministros discutiram uma questão de ordem relacionada aos processos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Master. O mérito das petições não chegou a ser analisado.
A sessão foi marcada por tensão, discussões e troca de acusações entre ministros.
O conflito entre os integrantes da Corte, entretanto, começou antes do julgamento de terça-feira. O “Estadão” teve acesso a uma série de mensagens enviadas por Gilmar Mendes a Nunes Marques e ao ministro Luiz Fux. “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos”, escreveu o decano a Nunes Marques.
Mendes também usou termos como “servis” e “submissos” ao se referir a Fux e Nunes Marques.
Antes do início do julgamento, Nunes Marques se declarou impedido de participar, em razão de seu mandato como presidente do TSE e da potencial repercussão eleitoral da decisão.
Horas antes, mensagens divulgadas indicavam contato entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro.
Antes de se declarar impedido, Nunes Marques falou sobre as mensagens. “Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Isso é fato, porque o sigilo já foi quebrado”, disse.
A sessão ficou restrita à análise de uma questão de ordem sobre a possibilidade de julgamento conjunto dos processos envolvendo Moraes e Mendonça. Não houve decisão definitiva, e a discussão foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que pode ficar com o processo por até 90 dias.
No momento da suspensão, o placar estava em 4 a 3 pela manutenção dos processos separados.
















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