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Milei envia ao Congresso projeto de lei para endurecer penas contra exploração de petróleo nas Malvinas

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(FOLHAPRESS) – Javier Milei continua sua cruzada pelas Ilhas Malvinas. Nesta quinta-feira (17), o presidente da Argentina enviou ao Congresso um projeto de lei para endurecer punições contra empresas que exploram recursos naturais no território, alvo de disputa com o Reino Unido há quase 200 anos.

“Esta iniciativa é um marco no processo de recuperação das Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul e representa um avanço jurídico sem precedentes na história do nosso país”, afirmou o ultraliberal em comunicado.

“Todos os argentinos, de todas as idades e de todos os cantos da nação, reconhecem as Malvinas como uma causa nacional e a sua recuperação como uma promessa que cada geração herda da anterior.”

A ideia é substituir a Lei 26.659, de 2011, que proíbe a exploração de petróleo e gás em águas argentinas sem autorização oficial do país, algo que Londres desconsidera, uma vez que considera o arquipélago parte de seu território.

Já para Buenos Aires, além de ilegal, a extração de recursos naturais das ilhas é um desrespeito à Resolução 31/49 da ONU.

O documento, publicado em 1976, seis anos antes da Guerra das Malvinas, pede que os países envolvidos se abstenham de “alterações unilaterais à situação” enquanto a questão da soberania estiver em aberto.

Milei propõe no projeto, por exemplo, aumentar as multas para aqueles que desenvolvam “qualquer tipo de atividade destinada à exploração de recursos naturais” nas ilhas, além de ampliar as penas de prisão para os infratores para até 20 anos. Atualmente, a pena máxima é de 15 anos.

Antes mesmo de apresentar o documento, a Casa Rosada havia iniciado, nas últimas duas semanas, procedimentos para sancionar ao menos 60 empresas e empresários que teriam violado a soberania argentina.

O texto apresentado nesta quinta-feira também prevê a criação de um Sistema de Segurança Nacional, chefiado pelo próprio presidente, para, nas palavras do documento, “fornecer ao Estado um quadro institucional permanente que articule e coordene as funções estatais em matéria diplomática, econômica, cibernética, de defesa, jurídica e de inteligência nacional, bem como aquelas relacionadas à proteção de infraestruturas críticas e soberania nacional”.

Na nota, Milei pede que os congressistas suspendam outras discussões para dar “prioridade máxima e celeridade à análise do projeto de lei”.

“Não podemos permitir que aqueles que usurpam nosso território se deem ao luxo de não trabalharem juntos pela recuperação de nossas Ilhas Malvinas, que são e sempre serão argentinas”, concluiu.

O apelo não convenceu todos os legisladores. A oposição, que antes criticava o ultraliberal por não se engajar na causa das ilhas, agora o acusa de usar a questão para fins eleitorais e para acumular poderes.

“Uma causa nobre e sincera usada para concentrar poder”, afirmou, na rede social X, o deputado Esteban Paulon. “O projeto Malvinas representa um risco para a democracia”, continuou, citando o que vê como ameaças, entre elas o envolvimento das Forças Armadas em questões de segurança interna e a diminuição do papel do Congresso.

Já o deputado Luis Petri, correligionário de Milei, afirmou que o Sistema de Segurança Nacional existirá para que o Estado “aja como um só”.

“Por décadas, a causa das Malvinas ficou paralisada por conselhos consultivos e discursos na ONU, enquanto as companhias petrolíferas avançavam em nossas águas. Isso acaba agora”, afirmou.

Além de questões legislativas, a disputa também tem motivado gastos militares. De acordo com o Orçamento de 2027, ainda não aprovado, o governo Milei pretende destinar US$ 350 milhões (R$ 1,8 bilhão) para a construção de uma base naval no sul do país, uma promessa feita durante um comunicado em rede nacional no início de setembro.

O impulso para o pronunciamento oficial e para a mudança de rota na diplomacia internacional, há duas semanas, veio de um dos principais aliados de Milei, Donald Trump. Dias antes, o presidente americano havia dito não descartar uma revisão da neutralidade adotada por Washington em relação à soberania do arquipélago.

Nesta quarta-feira (16), em entrevista a um canal de streaming, Milei criticou analistas que vinculam sua repentina adesão à causa das Malvinas a uma estratégia eleitoral.

“Isso é uma estupidez maiúscula, porque significa que eles nem sequer verificam os fatos, nem sabem como surgiu a decisão de fazer o pronunciamento em cadeia nacional”, afirmou.

Ultraliberal planeja instalação militar na Terra do Fogo e ameaça punir empresas ligadas à exploração de petróleo. Disputa ganhou novo impulso após declarações de Trump sobre a posição dos EUA

Folhapress | 21:45 – 04/09/2026