A história da agricultura moderna do Noroeste do Paraná passa também pela pesquisa científica. Desde a criação da Embrapa Soja, em Londrina, em 1975, a instituição desenvolve tecnologias para adaptar a soja às condições brasileiras e melhorar o sistema de produção. A unidade tornou-se referência mundial em pesquisa da cultura em regiões tropicais.
Para Maringá e o Noroeste, uma das contribuições mais importantes está relacionada ao solo. A própria Embrapa classifica os solos de textura média da região como um ambiente agrícola frágil, principalmente por sua maior vulnerabilidade à erosão. Por isso, a pesquisa passou a defender sistemas de produção que evitassem a exposição e o revolvimento excessivo da terra.
Foi nesse contexto que o plantio direto ganhou importância. A cobertura permanente do solo ajuda a reduzir a erosão, conservar água e criar melhores condições para o desenvolvimento das raízes. Para a região do arenito do Noroeste, essas práticas foram fundamentais para tornar mais segura a produção de grãos.
Outro avanço foi a integração entre lavoura e pecuária. Em vez de separar completamente agricultura e criação de gado, o sistema permite alternar culturas e pastagens na mesma área. A Embrapa estudou esse modelo especificamente no Noroeste e registrou experiências de propriedades que utilizavam a integração havia 15 anos.
A pesquisa também contribuiu para o desenvolvimento e a difusão de cultivares de soja adaptadas às condições brasileiras. Segundo estudo publicado pela própria Embrapa, uma rede de pesquisa liderada pela instituição teve papel importante no desenvolvimento e na transferência de cultivares para o Paraná.
Outro capítulo importante é a fixação biológica de nitrogênio. Por meio da associação da soja com bactérias, a planta consegue utilizar o nitrogênio da atmosfera, reduzindo a necessidade de adubação nitrogenada. A tecnologia se tornou um dos pilares da competitividade da soja brasileira.
Esse trabalho continua. Em 2025, Embrapa Soja e IDR-Paraná instalaram 22 unidades de referência tecnológica em 17 municípios para avaliar práticas de inoculação. Nas áreas com coinoculação, a produtividade média registrada foi de 3.916 quilos por hectare, contra 3.615 quilos nas áreas sem inoculação.
A Embrapa também atua no controle de doenças e pragas. No caso da ferrugem-asiática, desenvolveu pesquisas sobre monitoramento, manejo e resistência genética. Algumas cultivares desenvolvidas pela instituição e seus parceiros incorporam tecnologias de resistência à doença e a nematoides.
Para uma região como Maringá e o Noroeste, portanto, a contribuição da Embrapa não pode ser resumida a uma nova variedade de soja. Ela envolve um conjunto de conhecimentos sobre solo, sementes, nutrição, doenças, pragas, plantio direto e integração entre lavoura e pecuária.
A transformação ocorreu justamente porque a pesquisa procurou responder aos problemas encontrados no campo. No Noroeste, isso significou descobrir como produzir em solos que apresentam maior risco de erosão e menor capacidade de retenção de água, sem comprometer sua capacidade produtiva.
Hoje, quando uma área agrícola da região utiliza plantio direto, mantém cobertura do solo, faz rotação de culturas, utiliza cultivares adaptadas ou adota práticas de inoculação e integração lavoura-pecuária, há décadas de pesquisa por trás dessas tecnologias.
A história da agricultura de Maringá e do Noroeste, portanto, também é uma história de ciência aplicada ao campo. E uma das perguntas que ainda merece ser respondida é: quanto dessa transformação representou em produtividade e renda para os produtores da região?
















Adicionar Comentário