Destaques do Dia • Maringa • Policia

60 anos de Monolux: uma história de família, construção e transformação em Maringá

60 anos de Monolux: uma história de família, construção e transformação em Maringá

Tempo de leitura: 9 min

Quando a Monolux começou, em 1966, Maringá ainda era uma cidade em formação. A empresa criada por Divanir Braz Palma e Milton Seixas era uma pequena fábrica de luminosos, instalada na Avenida Santos Dumont, e trabalhava com acrílico e, pouco depois, neon. Seis décadas mais tarde, a empresa continua na cidade, mas mudou praticamente tudo ao redor do negócio: passou pela publicidade visual, entrou na construção civil, diversificou sua atuação e participou de diferentes momentos do desenvolvimento urbano de Maringá.

O que não mudou foi a presença da família Palma à frente da empresa. Patrícia e Gilberto, filhos de Divanir, cresceram dentro da Monolux, começaram a trabalhar ainda jovens, passaram por diferentes áreas e se tornaram sócios do pai antes mesmo de sua morte, em 2019. Hoje, são eles que conduzem uma empresa que chega aos 60 anos com novos projetos, processos e tecnologias, mas também com uma preocupação que aparece repetidamente na fala dos irmãos: preservar a confiança construída pelo nome Monolux.

De uma pequena fábrica aos grandes empreendimentos

A história começou de maneira bem diferente da atual. Dona Eliana, que entrou na sociedade em 1967, quando tinha 17 anos, lembra do primeiro endereço da empresa como um lugar simples, com o telhado quase caindo. Foi ali que a Monolux começou a produzir luminosos de acrílico e, depois, de neon.

Sem computadores, as artes eram desenhadas manualmente. Eliana chegou a estudar com o desenhista Reinaldo Costa para aprender a preparar os materiais que seriam apresentados aos clientes.

“Naquele tempo que não tinha computador, não tinha nada, era só com um manguinho borrado e começava tudo de novo”, conta.

A prospecção também era feita de maneira artesanal. Aos domingos, Eliana e Divanir percorriam Maringá e cidades da região procurando estabelecimentos que ainda não tinham luminosos. Conforme a empresa cresceu, passou a produzir também painéis rodoviários e precisou de uma estrutura maior.

A mudança mais importante viria em 1981, quando Divanir transferiu a área de publicidade visual para os irmãos e concentrou a Monolux na construção civil. A empresa passou a atuar primeiro com casas e pequenos edifícios, até chegar a empreendimentos maiores.

O Edifício Dom Manuel e o São Conrado estão entre os primeiros projetos de maior porte. Mais recentemente, vieram outros empreendimentos que marcaram a trajetória da empresa, incluindo o Hotel Metrópole, o Jardins de Monet Thermas Residence e o Imperium, em fase final de construção.

Hotel Metrópole, ainda identificado como Bristol Metrópole Hotel, em registro de anos anteriores.

Para Dona Eliana, a mudança para a construção civil refletia uma característica que ela sempre enxergou no marido.

“Ele sempre foi, eu sempre falei com ele, que ele tinha terceira visão. Ele sempre olhou muito lá na frente”, lembra. Segundo ela, Divanir percebeu que Maringá ainda tinha muito espaço para crescer e que a construção civil teria papel importante nesse processo.

A Monolux acompanhou esse crescimento enquanto também diversificava seus negócios, passando por loteamentos, fazendas, hotelaria e comunicação. A própria empresa se tornou parte da história da cidade que ajudou a construir.

Os filhos cresceram dentro da Monolux

Se a empresa mudou de atividade ao longo das décadas, a relação da família com ela permaneceu constante.

Patrícia conta que suas primeiras lembranças da Monolux são de infância, brincando com acrílicos e acompanhando o pai nas obras. Depois, começou a trabalhar efetivamente na empresa, passando por tarefas administrativas até assumir responsabilidades maiores.

“Essa Monolux sempre foi uma extensão da nossa casa, uma coisa que se mistura. Ela é formada no nosso DNA”, afirma.

A empresa também fazia parte da rotina familiar. Reuniões aconteciam na Monolux, e os filhos eram incentivados por Divanir a conhecer diferentes setores antes de assumir responsabilidades específicas.

Patrícia chegou a cursar Zootecnia, mas nunca trabalhou na área. A própria comparação que faz ajuda a dimensionar a relação com a empresa.

“Eu falo, a Zootecnia fez parte da minha vida por cinco anos. A Monolux é desde que eu nasci.”

Giba começou a trabalhar aos 16 anos, primeiro na rádio da família e depois passando por diferentes setores. O aprendizado, segundo ele, começava por baixo: atividades bancárias, financeiro e outras áreas da operação, antes de chegar à gestão.

A trajetória profissional ainda teve uma pausa. Entre 2001 e 2012, Giba também se dedicou à carreira musical com a dupla Léo e Giba, realizando shows no Brasil e em Portugal. Durante esse período, a dupla chegou a lançar um disco pela gravadora Som Livre. De 2005 a 2012, ele conciliou a música com o trabalho na Monolux. Em 2012, voltou definitivamente para a empresa.

Foi também nesse período que passou a atuar mais diretamente na gestão de empreendimentos, obras e legalizações. Patrícia ficou mais próxima das áreas de compras e financeiro.

A divisão de funções ajudou a formar a segunda geração que hoje conduz a empresa.

“Meu pai vendeu a Monolux pra gente em vida. Ele já fez essa sucessão. Então, nós já nos tornamos sócios, eu e meu irmão, com ele em vida”, conta Patrícia.

Por isso, a sucessão não começou em 2019. Quando Divanir morreu, os dois já conheciam a empresa, tinham responsabilidades definidas e acumulavam anos de convivência profissional com o fundador.

O conhecimento que passa de uma geração para outra

Uma das pessoas que ajudaram a fazer essa ligação entre as gerações é Tião, tio de Patrícia e Gilberto e integrante da Monolux. Ele foi braço direito de Divanir e participou da construção de diversos negócios ao longo dos anos. Com forte relacionamento em Maringá, ajudava a identificar oportunidades e a encontrar caminhos para resolver questões que apareciam no dia a dia.

Para os irmãos, Tião também se tornou uma referência na condução da empresa.

“Ele é história, referência, conselheiro. Ele é aquela pessoa que, quando a gente tem dúvida, ele é uma fonte de sabedoria para a gente”, conta Giba.

Até hoje, ele é procurado pelos sobrinhos para ajudar em negociações, questões administrativas e decisões relacionadas a novos negócios.

“Ele é o nosso professor até hoje”, resume Giba.

Os principais marcos destes 60 anos

Ao falar sobre os principais marcos da trajetória da Monolux, Giba destaca três empreendimentos: o Hotel Metrópole, o Jardins de Monet e o Imperium. Cada um representa um momento diferente da empresa.

O hotel, segundo ele, está ligado à resiliência necessária para concluir um projeto que levou cerca de 20 anos. O Monet se destaca pela dimensão e complexidade: são 70 alqueires e 858 lotes, em um empreendimento que a Monolux precisou assumir e concluir após mudanças na sociedade.

Já o Imperium tem outro significado.

“Eu acho que o Imperium, ele tem o seu ponto principal porque é o primeiro empreendimento desde que nós assumimos. Então, ele sempre vai ser o primeiro da gestão Pati e Giba”, explica Giba.

Os três empreendimentos ajudam a contar a evolução da empresa. Mas, quando a conversa deixa os projetos e passa para aquilo que os irmãos consideram mais importante na trajetória da Monolux, a resposta não está na quantidade de obras. Está na qualidade e na confiança.

“A gente pode sacrificar o lucro, mas a gente não sacrifica o cliente”, resume Pati.

A preocupação com a reputação é uma das heranças mais presentes na condução atual da empresa. É uma lógica que atravessa gerações e que os filhos resumem ao falar sobre o nome construído pela família.

“Você leva uma vida para construir um nome muito sólido, mas em uma coisa que você erra, você perde tudo isso”, afirma Pati.

Para Giba, essa preocupação também orienta as decisões da segunda geração. “Nada é mais importante que o nosso nome”, afirma.

Para Pati e Giba, essa construção aparece também em relações que atravessaram décadas. A Monolux mantém funcionários com mais de 30 anos de casa e procura combinar essa experiência com profissionais mais novos, que ajudam a incorporar novos conhecimentos.

Modernizar sem perder o nome

A morte de Divanir trouxe uma mudança definitiva de comando, mas também expôs aos irmãos a dimensão da responsabilidade que haviam assumido.

A empresa tinha 53 anos e carregava processos construídos ao longo de décadas. Parte deles ainda estava baseada na maneira como o fundador trabalhava. Era preciso organizar, digitalizar e modernizar a estrutura.

“Então passamos por toda uma reestruturação de uma empresa que já tinha 53 anos na época. Uma empresa que tinha o jeito do Divanir e percebemos que era necessário reestruturar. Para isso foi preciso modernizar, mudar o sistema, mexer na parte da organização, processos e gestão”, explica Giba.

A transformação envolveu processos, tecnologia, estrutura interna e contratação de profissionais especializados.

A mudança também acompanhou um consumidor que passou a exigir mais informação. No Imperium, por exemplo, os compradores terão acesso digital a projetos, plantas e informações das unidades por meio de QR Code.

Para a família, modernizar não significa abandonar o legado.

“Você leva uma vida para construir um nome muito sólido”, lembra Dona Eliana. “Então, o que mantém a Monolux, o legado, a seriedade. Isso aí não vai mudar nunca. O procedimento e a velocidade que acontece, isso muda tudo.”

O Imperium como ponto de virada

A importância do Imperium para a segunda geração vai além de ser o primeiro empreendimento lançado sob sua gestão.

Antes dele, a Monolux vinha de anos trabalhando principalmente com empreendimentos de grande volume, como conjuntos de casas. Eram projetos mais repetitivos, com centenas de unidades e modelos construtivos que permitiam uma lógica de produção diferente.

Giba resume essa fase anterior como um período de cerca de duas décadas marcado por empreendimentos mais padronizados, voltados a grandes volumes.

Ao passar para um empreendimento vertical, com 144 apartamentos e outro perfil de público, a empresa precisou mudar também sua gestão comercial. Foi nesse processo que a Monolux Home voltou a ganhar espaço, levando a área comercial para uma estrutura com maior visibilidade e aproximando a empresa do consumidor.

“Então, teve toda essa evolução ou revolução”, diz Giba. “Acho que as duas.”

Para ele, o Imperium acabou obrigando a empresa a criar um modelo próprio de gestão para a nova fase.

“O Imperium nos obrigou a evoluir. E criar o nosso modelo de gestão”, afirma Giba.

A mudança envolveu contratação de profissionais, revisão de processos e novas ferramentas, além de uma preocupação maior com o cliente de um produto diferente dos empreendimentos anteriores.

Fazer menos, mas fazer bem

A transformação da Monolux não significa, necessariamente, uma busca por crescimento acelerado. Os irmãos afirmam que a intenção é avançar de maneira controlada, mantendo a capacidade de acompanhar cada projeto de perto.

“A nossa ambição é fazer bem feito, um de cada vez, no máximo dois”, afirma Pati.

A preocupação aparece também na maneira como os empreendimentos são pensados. Em vez de simplesmente oferecer uma lista de áreas comuns, a empresa procura dimensioná-las de acordo com o número de moradores e com o uso esperado.

A mesma lógica vale para materiais e equipamentos. Pati resume a ideia ao falar sobre a qualidade que espera dos empreendimentos: “A gente quer fazer uma coisa com diferenciais para você, como se fosse para a gente morar.”

É uma filosofia que os irmãos associam diretamente aos ensinamentos do pai.

Uma empresa pensada para durar

Se os primeiros 60 anos foram marcados pela transformação da Monolux de uma fábrica de luminosos em uma empresa com atuação imobiliária e construtora, a próxima etapa envolve preparar a organização para uma nova geração.

Pati e Giba já pensam na terceira geração e na profissionalização da estrutura para que, quando chegar a hora, os filhos encontrem uma empresa preparada para uma nova sucessão.

A empresa pode mudar de segmento novamente, assim como já aconteceu no passado. O que precisa permanecer, segundo Pati, são os fundamentos construídos pela família.

“Eu vejo ela como infinita. Ela pode mudar o ramo de atuação, como já mudou do acrílico para o painel, para a construção civil. Mas o nome, os fundamentos, toda essa visão de como tratar o cliente, os funcionários, esse DNA, ele vai manter. A gente está trabalhando para ele ser eterno.”

Seis décadas depois de começar com uma pequena fábrica de luminosos, a Monolux chega a uma nova geração sem abandonar aquilo que considera ter sido sua maior construção. Os prédios, loteamentos, o hotel e os diferentes negócios ajudam a contar a dimensão da trajetória. Mas, para quem está hoje à frente da empresa, o patrimônio mais difícil de construir — e mais fácil de perder — continua sendo a confiança.

É esse nome que Pati e Giba receberam do pai. E é a partir dele que estão preparando a Monolux para os próximos 60 anos.