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Tarcísio diz que PM de São Paulo vai rever treinamento após mortes em abordagens

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (16) que a Polícia Militar vai rever procedimentos e treinamentos após três mortes em abordagens recentes na capital paulista. Uma reunião com o comando da corporação está prevista para a próxima semana.

“Esses casos nos fizeram refletir sobre os procedimentos”, afirmou Tarcísio. Segundo ele, a revisão busca “impedir que excessos aconteçam”.

O governador disse que cada ocorrência está sendo investigada individualmente e defendeu que as circunstâncias de cada abordagem sejam consideradas. “Tem situações que você tem uma ameaça caracterizada, outras não. O policial está ali, tem que defender a sua própria vida também”, declarou.

Questionado, Tarcísio não detalhou quais procedimentos serão revistos nem quais mudanças podem ser adotadas no treinamento dos policiais.

A declaração acontece após três ocorrências recentes em que pessoas em sofrimento psíquico foram mortas por policiais militares. Dois casos envolveram dezenas de disparos de arma de fogo. No terceiro, uma mulher que segurava uma faca foi morta com um tiro.

Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, 40, foi morto com 24 tiros por policiais na Vila Dionísia, na zona norte de São Paulo. O caso veio a público no dia 12. Um familiar disse que ele tinha esquizofrenia. Imagens feitas por testemunhas mostram policiais tentando usar uma arma de choque antes dos disparos. Os agentes foram afastados das ruas, e o caso é investigado.

Na madrugada de 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, 20, foi morto em Moema, na zona sul. Os policiais dispararam 45 vezes, e 27 tiros atingiram o jovem.

Os agentes disseram ter confundido o celular que ele segurava com uma arma. Uma câmera de segurança registrou a abordagem e mostra Gustavo sendo baleado quando já estava no chão. Os policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais, e as investigações estão em andamento.

Na quinta-feira (15), Camila Pereira da Silva foi morta por um policial militar no Parque São Domingos, na zona norte. Imagens de câmeras de segurança mostram a mulher com uma faca na mão enquanto três policiais da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) pedem que ela largue o objeto.

O policial que fez o disparo foi preso em flagrante, e o caso é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). O agente foi solto nesta sexta.

A Folha de S.Paulo ouviu especialistas que apontaram falhas nas abordagens que terminaram nas mortes de Antonio e Gustavo e questionaram a atuação dos policiais diante de situações que exigiam avaliação de risco e controle da força empregada.

Ao anunciar a revisão dos procedimentos, Tarcísio afirmou que o objetivo é evitar excessos e disse que a polícia deve proteger a sociedade. “A gente está atento a esta questão e vê a necessidade, sim, de rever procedimento”.

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