SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil de São Paulo deve pedir nesta quarta-feira (11) a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto pelo suposto envolvimento na morte da mulher dele, a PM Gisele Alves Santana, 32. Ela foi encontrada morta dentro de sua casa no Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro.
A decisão será tomada em reunião nesta quarta com a Corregedoria da Polícia Militar, que está ajudando na investigação. Segundo apuração da Folha, os investigadores entendem que há elementos suficientes para ligar o tenente-coronel ao crime.
O advogado Eugenio Malavasi, que faz a defesa Rosa Neto, disse à reportagem que não tem conhecimento da reunião entre Polícia Civil e corregedoria nem do possível pedido de prisão do seu cliente.
Inicialmente, a morte foi tratada como suicídio, depois passou a morte suspeita e agora deve ser investigada como homicídio, após o laudo IML (Instituto Médico Legal) apontar que a policial apresentava lesões no pescoço e no rosto com sinais de dedos e unhas ao redor delas.
O tenente-coronel disse à polícia que havia entrado no banheiro por volta das 7h e ouvido o barulho do disparo cerca de um minuto depois. Ele afirmou ter imaginado que poderia ser uma porta batendo.
Disse ainda que encontrou Gisele caída no chão. Segundo ele, ela apresentava sangramento intenso e tinha nas mãos uma pistola. Ele mesmo chamou a polícia.
A policial chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Além das lesões, o laudo do IML diz também que não foram encontrados sinais típicos de defesa no corpo dela.
A arma era de Geraldo. Ele disse à polícia que guardava a pistola -que acabou apreendida- sobre o armário de seu quarto e que, naquele dia, não havia trancado o cômodo.
Um dos pontos que mudaram o rumo da investigação foi a revelação do relacionamento conturbado que Gisele e Geraldo mantinham.
Ele mesmo admitiu isso em depoimento. Afirmou que a relação de ambos se tornou complicada a partir do ano passado, quando foi transferido para outro batalhão.
O casal não dormia mais no mesmo quarto desde o ano passado. Ele afirmou que se dirigiu ao quarto de Gisele na manhã em que ela morreu. Afirmou ter dito a ela que “o melhor seria a separação, pois o relacionamento não estava funcionando”. Gisele, segundo ele, o mandou sair do quarto.
A mãe dela declarou em depoimento que o tenente era uma pessoa “excessivamente violenta” e que proibia Gisele de “usar batom, salto alto e perfume”.
Gisele chegou a verbalizar a intenção de se separar. Depois disso, disse a mãe, Geraldo enviou a ela um vídeo “chorando e com a arma apontada para própria cabeça fazendo menção de que iria se matar” em caso de rompimento.
A policial encaminhou o arquivo a três familiares -a mãe, o pai e o irmão-, mas deletou da conversa pouco depois ao mencionar uma possível reconciliação. O irmão salvou o vídeo antes que ele sumissse e apresentou a filmagem à Polícia Civil.
Nesta terça (10), a juíza Giovanna Christina Colares, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou a redistribuição do processo para a Vara do Tribunal do Júri após considerar a natureza do suposto crime.
O advogado José Miguel da Silva Junior, contratado pela família de Gisele, também enviou uma petição à Justiça pedindo a busca por imagens de câmeras de segurança do condomínio para investigar o barulho de tiro ouvido por testemunhas.
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