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Enquanto aguarda o avanço das instalações de um data center de Inteligência Artificial (I.A) em Maringá, a Prefeitura estuda a implantação de um outro projeto do ramo, mas desta vez público. Na semana passada, o prefeito Silvio Barros (PP) esteve em São Paulo para uma reunião com representantes da Takoda Data Centers, empresa especializada no setor.
O objetivo do município é entender a estrutura necessária para a construção de um data center, mas voltado para o uso dos órgãos públicos, incluindo a própria Prefeitura. A viagem e a reunião foram confirmadas pelo próprio Silvio, em entrevista ao Maringá Post.
De acordo com o chefe do Executivo, o projeto ajudaria a alavancar a liberação do Governo Federal para a criação da Zona de Processamento de Exportações (ZPE), almejada pela Prefeitura desde o início da atual administração. A autorização ainda está pendente de aprovação por parte do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Conforme o prefeito, o data center público teria uma estrutura mais modesta do que o investimento privado anunciado em 2025, mas servirá para dar sustentação para a ZPE.
“Nós precisamos ancorar a nossa ZPE para que ela possa ser aprovada pelo Ministério de Desenvolvimento. Uma das coisas que a gente pode fazer é usar um datacenter para ancorar a nossa ZPE. O projeto do datacenter que é privado está em andamento, mas ele é fora da ZPE e a nossa proposta é fazer um outro datacenter, para o poder público, dentro da ZPE. Este andaria com muito mais velocidade. Não é do mesmo tamanho do outro, é uma licitação que vai ocorrer, mas esse datacenter seria uma outra alternativa. Nós fomos conhecer e conversar com operadores de data center para entender a viabilidade desse projeto, e em sendo viável, nós poderíamos lançar isso imediatamente e fazer a ancoragem da ZPE com o data center”, explicou Silvio Barros, em entrevista ao Maringá Post.
Ainda não há um projeto concreto e nem prazos para um data center da Prefeitura saia do papel.
Projeto privado de R$ 6 bilhões segue de pé, mas aguarda incentivos fiscais do Governo Federal
Em julho de 2025, a RT-One, multinacional do segmento de tecnologia e segurança cibernética, anunciou estar na fase final de obtenção de licenciamentos para a instalação de um data center privado, voltado para o processamento de Inteligência Artificial (I.A), em Maringá. Na ocasião, a empresa chegou a informar que a construção da estrutura física teria início em setembro do mesmo ano e que a operação iniciaria já em 2026. O investimento previsto é de R$ 6 bilhões.
Embora afirme que o projeto segue de pé, a RT-One aguarda o avanço da liberação da Zona de Processamento de Exportações maringaense para dar continuidade no investimento. A liberação da ZPE é um dos passos necessários para que a empresa saiba quais incentivos fiscais conseguirá receber do Governo Federal.
“O planejamento do projeto está diretamente atrelado ao cronograma de aprovação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE). No momento, a questão regulatória relacionada ao Redata ainda está em compasso de espera, o que impacta a competitividade do Brasil no cenário global. Vale destacar que tanto o prefeito quanto o deputado Ricardo Barros têm atuado de forma bastante pró-ativa para instalar a ZPE e trazer mais desenvolvimento para a região”, afirmou a RT-One, em nota enviada ao Maringá Post nessa quinta-feira (23).
O prefeito Silvio Barros também confirmou que a empresa aguarda a sinalização do Governo Federal, mas frisou que um projeto não inviabiliza o outro.
“São dois projetos diferentes. A demanda para data centers vai crescer exponencialmente. O data center privado não saiu ainda porque o Governo Federal não decidiu que tipo de incentivos vai dar, já que a lei federal que estabelece os incentivos para data centers ainda não foi aprovada. Então, nenhum data center privado vai avançar com esse negócio enquanto a lei não tiver aprovada, porque eles não vão saber o qual incentivo é quais benefícios eles vão poder comprar. Mas um datacenter público dentro de uma ZPE já fica alavancado naturalmente, automaticamente, primeiro porque é público, ele já tem as isenções e segundo porque, estando em uma ZPE, vai ter mais vantagens. Então nós podemos avançar mais rapidamente com o data center público do que o data center privado, porque ele vai continuar esperando a decisão do Governo Federal para saber em que condições de mercado ele vai poder atuar”, explicou.
O CEO da RT-One, Fernando Palamone, a proposta da Prefeitura de Maringá de ter um data center público e desenvolver uma ZPE está alinhada a um modelo colaborativo de inovação.
“A iniciativa prevê a presença de múltiplas empresas parceiras, que atuam de forma complementar, sem concorrência direta com o nosso core business. Na RT-One, oferecemos uma solução completa de neocloud, que vai desde a construção até, em alguns casos, a operação dentro de data centers de parceiros. Esse ambiente colaborativo dentro do parque tecnológico contribui diretamente para o fortalecimento e a expansão das nossas operações”, afirmou.
















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