O declínio cognitivo é uma preocupação que costuma surgir com o avanço da idade. Segundo a ciência, alguns hábitos podem ajudar a reduzir o risco de demência. Ainda assim, existem fatores que não podem ser controlados, como as diferenças biológicas entre homens e mulheres.
Sabe-se que as mulheres têm um risco maior de desenvolver demência do que os homens. Com isso em mente, pesquisadores buscaram entender de que forma o estilo de vida pode influenciar essa tendência. O estudo foi publicado em 2026 na revista científica Biology of Sex Differences e teve seus resultados destacados pelo site EatingWell.
Como o estudo foi realizado
Os pesquisadores analisaram dados do Health and Retirement Study, um grande projeto que acompanha a saúde de adultos mais velhos nos Estados Unidos.
Foram avaliadas informações coletadas em 2008 de 17.182 participantes com 40 anos ou mais. A idade média do grupo era de 69 anos, e quase 60% dos participantes eram mulheres.
A equipe analisou 13 fatores de saúde e estilo de vida que podem ser modificados ou controlados ao longo da vida. Entre eles estavam escolaridade, perda auditiva, colesterol elevado, depressão, sedentarismo, diabetes, tabagismo, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool, isolamento social, problemas de visão e má qualidade do sono.
Além disso, os pesquisadores avaliaram o desempenho dos participantes em um teste cognitivo realizado por telefone.
O que os pesquisadores descobriram
Os resultados revelaram um padrão importante: as mulheres não apenas apresentavam mais fatores de risco, como também pareciam mais vulneráveis aos efeitos desses fatores sobre o cérebro.
As mulheres registraram índices mais altos em sete das 13 categorias analisadas. Entre elas, destacaram-se maiores taxas de depressão, sedentarismo e problemas relacionados ao sono.
Os homens apresentaram índices mais elevados em apenas três fatores: perda auditiva, diabetes e consumo excessivo de álcool.
A principal descoberta do estudo, no entanto, está relacionada à forma como esses fatores afetam a memória e a capacidade de raciocínio. Os pesquisadores observaram que alguns fatores de risco exercem um impacto mais intenso sobre a função cognitiva das mulheres.
Embora os homens apresentem mais casos de perda auditiva e diabetes, essas condições estiveram associadas a um declínio cognitivo mais significativo quando observadas nas mulheres.
Condições ligadas à saúde cardiovascular e metabólica, como hipertensão e índice de massa corporal elevado, também demonstraram efeitos mais negativos sobre a cognição feminina.
Segundo os autores, os resultados mostram que os mesmos problemas de saúde não afetam todas as pessoas da mesma maneira. Uma condição que provoca impactos moderados na cognição de um homem pode ter consequências muito mais severas para uma mulher.
O que isso significa na prática?
As descobertas reforçam que a proteção da saúde cerebral não deve seguir uma abordagem única para todos.
Entre as mulheres, especialmente, perda auditiva, diabetes e hipertensão estiveram associadas a maiores prejuízos cognitivos. Por isso, os especialistas recomendam algumas medidas preventivas:
Procure ajuda ao perceber sinais de perda auditiva. O uso de aparelhos auditivos pode ser uma alternativa importante.
Converse com seu médico sobre o risco de diabetes e sobre formas de controlar os níveis de açúcar no sangue. Alimentação rica em fibras, prática regular de exercícios físicos e sono de qualidade podem ajudar.
Caso tenha pressão alta, siga corretamente as orientações médicas para mantê-la sob controle. A prática de atividade física também é uma importante aliada para a saúde cardiovascular e cerebral.
















Adicionar Comentário