Policia

Homem que jogou carro com esposa e filha no Rio Paraná pode ser acusado de “vicaricídio”

Maringá Post

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Crime ocorreu no dia 2 de maio, em Porto Rico. Na denúncia protocolada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), órgão pede condenação do suspeito por crime tipificado no Código Penal este ano, onde o acusado atenta contra o filho para causar sofrimento na ex-companheira.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) quer que o Judiciário condene, por “vicaricídio”, o homem acusado de lançar propositalmente um carro com a esposa e a filha dentro do Rio Paraná, em Porto Rico. O crime, ocorrido no dia 2 de maio, resultou na morte de Irya Djanira Ronan Costa Talaska, de 36 anos e a filha, Maria Laura Ronan Talaska, de apenas três anos.

O acusado, ex-companheiro da vítima, está preso preventivamente desde o dia 8 de maio. O crime de vicaricídio foi tifipicado no Código Penal apenas este ano e consiste na prática do homicídio contra um filho(a) ou dependente sob a guarda de uma ex-companheira, com o intuito de lhe causar sofrimento.

Conforme a denúncia oferecida na última segunda-feira, 25 de maio, pela Promotoria de Justiça de Loanda, o acusado teria lançado deliberadamente o veículo em que os três estavam nas águas do Rio Paraná, provocando a morte das vítimas por afogamento.

Em relação à morte da criança, o Ministério Público sustenta a incidência da qualificadora do vicaricídio, por ter o denunciado utilizado a morte da filha como forma de causar sofrimento e punição à esposa no contexto da relação familiar.

Investigações – Segundo apurado nas investigações, o casal havia passado o dia em Porto Rico visitando o filho mais velho e participando de confraternização na casa de amigos. Ao deixarem o local, por volta das 22h15, o denunciado passou a insultar a esposa dentro do veículo. Na sequência, conduziu o automóvel em alta velocidade até uma rampa náutica próxima ao Aqua Park Resort e entrou com o carro nas águas do Rio Paraná. De acordo com a denúncia, após a submersão do veículo, o homem saiu do automóvel e nadou até a margem sem realizar tentativa imediata de resgate da esposa e da filha, que permaneciam no carro. As duas vítimas morreram por asfixia mecânica por afogamento, conforme apontaram os laudos da polícia científica.

Violência doméstica – Conforme sustenta o MPPR, o crime contra a esposa teria sido motivado por motivo torpe, uma vez que provocado por sentimento de afronta e inconformismo do denunciado após a vítima solicitar, durante a confraternização, a reprodução da música “Narcisista”, interpretada pelo homem como referência ao relacionamento do casal. A denúncia aponta ainda que havia contexto de violência doméstica e familiar marcado por ciúmes excessivos no relacionamento, violência psicológica e menosprezo à condição da vítima como mulher.

Vicaricídio – Instituído recentemente pela legislação como crime autônomo (Lei 15.384/2026), o vicaricídio se caracteriza quando o homicídio ocorre no contexto de violência doméstica e tem como vítima alguém dependente ou que está sob a guarda da mulher, com a intenção de lhe causar sofrimento. O entendimento levou em consideração o fato de que a esposa poderia ter sobrevivido e a filha não.