Paraná

SUS suspende temporariamente vacina contra dengue do Butantan após eventos adversos graves sob investigação

Maringá Post

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O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a Butantan-DV, vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi tomada em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a identificação, pela farmacovigilância, de 42 casos com sinais de alerta, entre eles três episódios graves e dois óbitos que seguem em investigação.

O que motivou a suspensão

Foram registrados 42 episódios com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Desses casos, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos, cuja relação com a vacina ainda não foi estabelecida.

Segundo o Ministério da Saúde, os eventos observados não haviam aparecido nos estudos clínicos que embasaram a aprovação do imunizante, razão pela qual a estratégia foi interrompida preventivamente até a conclusão das investigações.

O ministério ressaltou que a decisão não atinge a Qdenga, vacina da Takeda já ofertada pelo SUS para o público de 10 a 14 anos. A paralisação envolve exclusivamente o imunizante do Butantan que vinha sendo utilizado em profissionais da Atenção Primária à Saúde e em projetos-piloto em localidades selecionadas.

Quem tomou a vacina do Butantan deve fazer o quê?

As autoridades sanitárias não recomendaram revacinação nem retirada de qualquer dose já aplicada. A orientação é de acompanhamento especial para quem foi vacinado nos últimos 21 dias, com atenção a sinais de alerta e busca de atendimento médico se houver piora clínica.

Sinais de alerta que exigem avaliação médica

  • Dor abdominal intensa e contínua;

  • Sonolência intensa ou irritabilidade;

  • Sinais de desidratação;

Especialistas consultados por veículos nacionais também afirmam que quem recebeu a vacina há mais de 21 dias, em geral, não precisa adotar medidas especiais, embora deva procurar atendimento se desenvolver sintomas compatíveis com dengue ou manifestações graves.

O que diz o Butantan

Em nota, o Instituto Butantan afirmou que a interrupção é temporária e preventiva e que continuará colaborando com o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo dados de farmacovigilância e conduzindo novos estudos. O instituto destacou que os casos graves investigados podem ou não estar relacionados à vacinação.

A suspensão ocorre apesar de resultados recentes de fase 3 indicarem eficácia relevante contra dengue grave e hospitalizações e perfil de segurança considerado favorável durante o acompanhamento de longo prazo. Estudos publicados em Nature Medicine apontaram proteção sustentada contra formas graves da doença e ausência de hospitalizações no grupo vacinado durante o período analisado.