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Relembre memes que nasceram da TV maringaense

Maringá Post

Tempo de leitura: 3 min

Nosso estado já foi considerado – principalmente nos anos 2010 – uma “Rússia brasileira”. O termo era usado pela quantidade de fatos improváveis que aconteciam no Paraná, e se tornavam memes. Maringá fazia jus ao apelido: talvez você conheça todos, mas não saiba que muitos desses memes nasceram aqui!

Na reportagem, relembramos o histórico dos memes, procuramos entender o contexto e onde estão os personagens atualmente. Além disso, conversamos com Eduardo Santos, apresentador da Rede Massa Maringá. O âncora vivenciou muitos dos memes ao vivo, sem imaginar que ficariam conhecidos nacionalmente. Confira:

 

“Cê é louco, cachoeira?”

Valter Willian da Silva veio de Diadema – São Paulo e, em Maringá, foi acusado de roubar um carrinho de lanche usando uma faca de açougue. 

O viral aconteceu em 2015, quando o homem foi à delegacia e deu entrevista a um repórter. De forma muito inusitada, negou o crime falando que em São Paulo. Disse que, em sua cidade, ninguém rouba de faca, mas sim de pistola. E logo depois da afirmação, soltou o famoso bordão de 2015. “Nois vai roubar de faca, irmão? Cê é louco cachoeira”. Ele repete a frase após cantar um funk improvisado.

https://www.youtube.com/watch?v=slkbiSoF6ho

 

Um ano e meio após a transmissão da reportagem, Valter se envolveu em outra confusão, em Curitiba. Não há mais informações públicas sobre o homem.

 

Galo Cego

Daniel Orivaldo da Silva viralizou nas redes sociais em 2009, após aparecer em uma reportagem da Rede Massa. Na ocasião, Galo Cego acertou uma pedra e atingiu uma mulher que dirigia em um carro – e quase acertou um bebê no banco de trás. Ele foi à delegacia dar uma entrevista ao repórter da Rede Massa dando respostas desconexas. As imagens chamaram atenção pelo comportamento do entrevistado, que passou a ser compartilhado nas redes sociais. 

https://www.youtube.com/watch?v=FM4JtUGGQEA

Tempos depois, ele apareceu em outra reportagem – ainda mais viral:

https://www.youtube.com/watch?v=hAx4Lql_-VI

 

Hoje, Galo Cego aparece em alguns vídeos do Tiktok de pessoas que o encontram na rua. Apesar da fama que ganhou na internet, existem poucas informações públicas sobre a trajetória de Daniel após o vídeo viralizar.

 

Débora do “foi ótimo” 

Apesar de ter viralizado como meme, a história de Débora Palhari é extremamente triste. A mulher trans estava na delegacia após homens abusarem dela em um motel. Um repórter da Rede Massa realizou a entrevista com ela que, de início, havia um tom sério.

A viralização aconteceu após ela contar o que tinha ocorrido. O jornalista perguntou se tinha sido “ruim”, e ela falou a frase que virou bordão: “foi ótimo”. 

https://www.youtube.com/watch?v=_k-PIdeVM7s

Débora era de Campo Mourão e chegou a participar de outros programas após ganhar visibilidade nacional. Ela também se casou e manteve postagens públicas até 2020. Atualmente, o perfil aberto não tem novas publicações.

O que mudou em 10 anos

Em entrevista ao Maringá Post, o repórter e editor-chefe Eduardo Santos relembrou os bastidores de algumas das reportagens que viralizaram.

O dono do bordão “Tá complicado a situação” afirmou que a imprensa maringaense é extremamente dedicada – e os plantões que aconteciam nos anos 2000 faziam com que a cidade ganhasse visibilidade nacional no jornalismo.

Segundo ele, nenhum viral era proposital – a emissora produzia e publicava muitos vídeos, e alguns acabavam viralizando. Ele afirma que a quantidade de material produzido em Maringá contribuiu para que algumas reportagens ganhassem destaque.

Mas muita coisa mudou dos anos 2000 para cá. Eduardo Santos relembrou a história de Débora e concordou que, apesar da resposta inusitada, a situação era muito triste. Para Santos, a exposição de pessoas em condição de vulnerabilidade exige hoje mais cuidado por parte dos profissionais.

“Na hora de comentar, levar aquilo ali na brincadeira, você tem que ter uma responsabilidade muito maior. Tem coisa que não tem mais graça. A gente tem que pensar mais de duas vezes antes de falar as coisas”.

Confira parte do bate papo: