MARINGÁ (PR) — A saúde do homem passa por uma transformação que vai muito além dos limites do sistema urogenital.
A evolução dos procedimentos estéticos íntimos e o impacto da saúde mental na performance estão redefinindo a urologia. Da mesma forma, a precisão da cirurgia robótica no tratamento de tumores malignos avança no Paraná.
Hoje, o médico urologista atua diretamente como um acompanhante da longevidade masculina.
Para discutir esse novo cenário, o jornalista Ronaldo Nezo recebeu o médico urologista Dr. Pedro Menechini no podcast Ponto a Ponto. O programa é uma produção do jornal Maringá Post realizada nos estúdios da VMark Estúdio.
Graduado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), urologista e especialista em andrologia, Menechini detalhou como a quebra de tabus históricos tem permitido aos homens buscar tratamentos que unem qualidade de vida, tecnologia e bem-estar psicológico.
Estética genital masculina e autoestima em Maringá
Uma das vertentes mais recentes e de maior repercussão na andrologia é a estética genital.
A busca pelo preenchimento peniano com ácido hialurônico deixou de ser uma exclusividade dos grandes centros. O procedimento já é uma realidade consolidada em Maringá e no noroeste do Paraná.
A intervenção é ambulatorial e realizada sob anestesia local em cerca de 40 minutos. De acordo com o médico, o impacto flerta diretamente com a saúde mental do paciente.
“Muitos homens se sentem um pouco intimidados pela própria estética genital, sobretudo quando o pênis está no estado flácido. Então tem muito homem que fala: ‘Ah, meu pênis quando está ereto, poxa, o tamanho é legal, não me incomoda, agrada a minha parceria, me incomoda quando ele está flácido, fica muito pequeno, fica muito encolhido, fica retraído’. […] Então a gente percebe que o preenchimento, que num primeiro momento seria mais estético, tem também um ganho de performance. Os pacientes gostam por isso também, então é bem interessante nesse sentido”, explica Menechini.
Alerta contra os mitos e promessas de alongamento na internet
O urologista faz, no entanto, uma demarcação clara entre a ciência médica e as promessas milagrosas disseminadas no ecossistema digital.
Ele adverte de forma rigorosa sobre técnicas caseiras ou comerciais de faloplastia e alongamento que circulam nas redes sociais.
“Há que se ter cuidado com o que a gente vê na internet, justamente existem procedimentos como a faloplastia, está muito difundido. Se a gente digita no Google da vida ou uma inteligência artificial, vai aparecer um monte de profissional que oferece. Ela tem indicação bem precisa, esses procedimentos têm indicações bem precisas”, adverte.
Nos casos cirúrgicos necessários, o médico atua em Maringá em conjunto com o cirurgião plástico Dr. Vinícius Vasconcelos. A equipe combina técnicas de abdominoplastia e lipoaspiração pubiana para otimizar a anatomia.
“Isso em tudo, não dá para a gente vender gato por lebre. A gente tem que sempre falar para o paciente: isso vai chegar a isso”, enfatiza Menechini.
O divórcio entre a idade e a disfunção erétil
A disfunção sexual masculina possui origens distintas a depender da faixa etária, exigindo abordagens terapêuticas individualizadas.
No paciente jovem, o fator psicológico e o imediatismo cultural exercem papel preponderante.
Menechini relata um fenômeno preocupante nos consultórios de Maringá: a dependência emocional de estimulantes sexuais, como a Tadalafila, por homens na faixa dos vinte anos.
“Muitos jovens têm usado o tadalafila de maneira indiscriminada, o que leva até a uma dependência psicológica. Eu já atendi muito paciente jovem que fala: ‘Doutor, se eu não tiver na carteira um comprimido de tadalafila, nem adianta eu sair com a moça, porque eu não consigo ter relação’. Dependência psicológica, porque assim, de fato, a tadalafila vai facilitar uma situação, vai dar talvez até uma ereção um pouco mais vigorosa. Só que não é algo natural, talvez aquela pessoa não precise daquilo. E aí ela coloca parte da confiança dela em relação ao medicamento e isso gera de fato uma dependência emocional muito grande, difícil de tratar”, aponta o urologista.
Disfunção erétil como alerta cardiovascular precoce
Por outro lado, nos pacientes mais maduros — próximos aos 60 e 70 anos —, a disfunção erétil costuma se manifestar por causas orgânicas e vasculares.
Ela funciona, na verdade, como um marcador clínico antecedente para problemas cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
“A disfunção erétil é um marcador cardiovascular, muitas vezes ela aparece antes de um infarto, anos antes de um infarto, porque o órgão genital masculino depende de microvasos, são vasos muito pequenos. Se ali já está começando a entupir, então é talvez o primórdio de um entupimento de vasos maiores, isso depois pode se refletir no infarto, no AVC”, esclarece o médico.
Para esses cenários, a medicina adota tratamentos em degraus. O primeiro envolve a mudança no estilo de vida e medicação oral. O segundo utiliza o uso de injeções intracavernosas locais.
A última linha, voltada a casos definitivos, é a implantação de próteses penianas semi-rígidas ou infláveis. O método possui alto índice de satisfação e preserva integralmente a sensibilidade, o prazer e a ejaculação.
Menechini desmistifica ainda o estigma histórico de mortes associadas ao surgimento do Viagra no fim dos anos 1990.
“O paciente já tinha uma condição cardiológica dormente ali, já tinha uma coronária quase obstruindo, ele já tinha um músculo cardíaco falho e, pelo fato dele ter conseguido ter uma ereção, ele realizou um esforço físico sobrenatural durante a relação sexual. Por isso, a gente viu alguns casos no passado de morte súbita e relacionou-se naturalmente ao uso do medicamento”.
O sêmen como indicador de saúde global do homem
Outra mudança de paradigma defendida pelo especialista atinge a análise de fertilidade.
Casos de infertilidade masculina estão frequentemente associados a fatores como a varicocele (dilatação das veias testiculares) ou ao uso inadvertido de esteróides anabolizantes. No entanto, esses exames ganharam uma nova ferramenta de leitura.
A tendência da ciência internacional é tratar o espermograma não apenas como um teste de fertilidade, mas como um espelho da saúde global e metabólica do homem.
“A tendência da ciência é que o espermograma passe a ser visto como um indicador de saúde global. […] Existem estudos europeus que relacionam parâmetros seminais com internações no futuro. Então, analisaram diversos pacientes e mostraram que os pacientes com o pior espermograma são os que mais morriam de doenças crônicas. Então, olha que interessante: ele serve como um espelho para a saúde global”, contextualiza o médico, correlacionando a qualidade seminal ao estresse oxidativo e à exposição a disruptores endócrinos.
Reposição de testosterona e os limites do tratamento
Essa busca pelo equilíbrio corporal também impulsiona a procura pela reposição de testosterona.
O declínio hormonal masculino inicia de forma natural por volta dos 40 anos. A terapia de reposição em doses fisiológicas e responsáveis é capaz de reverter quadros severos de fadiga, déficit de memória, depressão leve e sedentarismo.
Contudo, Menechini pondera que o hormônio não deve ser encarado como panaceia para problemas sociais ou cotidianos.
“A testosterona não resolve essas coisas. É bom deixar bem certo disso, que não é um milagre também, que ele vai receber um hormônio e vai resolver a vida financeira dele”, dispara.
Cirurgia robótica em Maringá: padrão-ouro no câncer de próstata
A urologia também testemunha saltos tecnológicos expressivos na oncologia.
O câncer de próstata permanece como a neoplasia sólida mais prevalente entre os homens no Brasil, com cerca de 70 mil novos diagnósticos anuais.
O rastreamento precoce e indissociável — realizado por meio do toque retal e do exame de PSA — é recomendado a partir dos 50 anos para a população geral. O exame cai para os 45 anos para grupos com maior predisposição, como negros, obesos ou indivíduos com histórico familiar de primeiro grau.
Quando a intervenção cirúrgica se faz necessária para buscar a cura completa, a consolidação da plataforma de cirurgia robótica mudou o cenário regional.
Disponível em polos de saúde como Curitiba, Londrina e Maringá, a técnica mudou o prognóstico pós-operatório. Ela reduz a índices residuais as duas sequelas mais temidas pelo homem: a impotência sexual crônica e a incontinência urinária.
“A cirurgia robótica é o maior expoente, o melhor tratamento disponível para o câncer de próstata, nos mais diversos graus. Qual é a grande vantagem dela? Que a gente acopla braços robóticos, que vão ser acoplados dentro do paciente, e eles executam movimentos muito finos, muito parecidos com a mão humana, e permite que nós façamos uma cirurgia com uma dissecção muito precisa, ou seja, ressecar, retirar aquele órgão ali que é a próstata e as suas vizinhanças […], de maneira minimamente invasiva. Gerando menos consequências, tanto sexuais quanto urinárias, para aquele indivíduo”, conclui Dr. Pedro Menechini.
Assista à entrevista completa
https://www.youtube.com/watch?v=8QidU1t9BO4
O episódio detalhado do podcast Ponto a Ponto, com todas as explicações, orientações e análises do Dr. Pedro Menechini, já está disponível na íntegra em nosso canal do Youtube.
Assista ao vídeo completo abaixo e acompanhe a discussão detalhada conduzida pelo jornalista Ronaldo Nezo no canal do YouTube do Maringá Post.
















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