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Gilmar propõe que STF baixe regra para invalidar leis que criam gastos sem fonte de receitas

Gilmar propõe que STF baixe regra para invalidar leis que criam gastos sem fonte de receitas

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), propôs ao presidente da corte, Luiz Edson Fachin, a edição de uma súmula para definir que toda proposição legislativa que crie ou altere despesa obrigatória ou implique renúncia de receita deve ser acompanhada de estimativa de impacto orçamentário e financeiro.

A proposta foi enviada à presidência na última quinta-feira (11) e foi um dos temas debatidos em reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quarta (17). O chefe da equipe econômica do governo se reuniu com magistrados para tratar da aprovação das chamadas pautas-bombas pelo Congresso, as matérias de grande impacto fiscal.

Três pautas-bomba avançaram no Senado apenas um dia após ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) para pedir que ele segurasse a votação de propostas legislativas. Ao todo, os ministérios da Fazenda e do Planejamento calculam um impacto anual de R$ 111 bilhões.

“Várias dessas medidas não afetam [as contas públicas] neste ano, mas podem comprometer o futuro do país”, disse Durigan nesta quarta.

Pela proposta do ministro, a súmula apontaria como inconstitucional qualquer lei que crie despesas ou renuncie receitas sem prévia estimativa de impacto orçamentário e financeiro ou sem a indicação das respectivas medidas compensatórias, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Uma súmula editada pelo Supremo padroniza o entendimento do Judiciário sobre um tema. Neste caso, sobre a necessidade de indicação de estudos de impacto fiscal para que as pautas-bomba sejam consideradas constitucionais pelo tribunal.

“Hoje a jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal é uníssona no sentido da obrigatoriedade da prévia apresentação de estudo de impacto orçamentário e financeiro por todos os entes da Federação, sempre que a proposição legislativa importar a criação ou a modificação de despesa obrigatória ou implicar renúncia de receita”, diz Gilmar no ofício.

Um dos fundamentos do ministro para a proposta foi o julgamento da desoneração da folha de pagamentos para 17 setores da economia e municípios. A análise foi concluída em 30 de abril. Na ocasião, o plenário debateu o tema e definiu que o Legislativo deve indicar o impacto de benefícios fiscais criados ou ampliados.

O art. 113 da ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), no qual os ministros se basearam para a análise e que Gilmar cita no documento, prevê que “a proposição legislativa que crie ou altere despesa obrigatória ou renúncia de receita deverá ser acompanhada da estimativa do seu impacto orçamentário e financeiro”.

Ainda nesta quarta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicou que deve pautar no plenário, na próxima semana, a votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que afrouxa as regras de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.

O texto é considerado uma pauta-bomba para o governo do presidente Lula (PT). O custo estimado com a medida é de R$ 3 bilhões ao ano, podendo chegar a R$ 30 bilhões em uma década.

Em um momento de relação estremecida com Lula, Alcolumbre afirmou, durante discurso no plenário, que 68 dos 81 senadores assinaram um pedido para acelerar a análise da PEC e que o presidente do Senado “não pode impedir” que a matéria tramite.

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