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Tecnologia, asfalto e controle laboratorial ditam rumos da infraestrutura, analisa Vagner Mussio

Tecnologia, asfalto e controle laboratorial ditam rumos da infraestrutura, analisa Vagner Mussio

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Maringá — A gestão da infraestrutura e da zeladoria urbana em uma cidade do porte de Maringá opera sob um ritmo de plantão permanente. Do gerenciamento de crises em temporais à pavimentação asfáltica nos bairros, a pasta funciona como uma engrenagem que impacta diretamente a rotina do cidadão, exigindo respostas rápidas, novos aportes tecnológicos e decisões estratégicas diárias.

 

O diagnóstico é do secretário de Infraestrutura, Limpeza Urbana e Defesa Civil, Vagner Mussio. Em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo no podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post, o titular abriu os bastidores da administração municipal, detalhou a virada tecnológica nas frentes de pavimentação e defendeu o rigor técnico nas obras públicas.

 

Sucateamento e reestruturação do pátio

Com experiência no setor privado e passagens anteriores pela gestão pública municipal, Mussio aponta que o primeiro grande desafio ao assumir a pasta foi alinhar a expectativa externa com as reais condições operacionais encontradas nos pátios da prefeitura.

 

O secretário relata um déficit acentuado no contingente de trabalhadores de campo e o sucateamento de estruturas básicas de produção.

 

“Na propaganda tudo é muito bonito, tudo é maravilhoso, o papel aceita tudo, mas aí é a hora que você entra no local, você vê a dificuldade. Quando eu saí de lá em 2014, eu tinha em torno de 1.100 homens. Eu voltei lá e descobri que eu tinha 900. Então você vai com o pensamento ‘vamos fazer’, e descobre que a usina não funciona, que a pedreira está desativada, que a fábrica de tubos não está funcionando. Começa a te frustrar”, revela Mussio.

 

Para contornar o gargalo crônico da falta de mão de obra, a estratégia adotada pela gestão foi o investimento em tecnologia. O município está finalizando a compra de uma usina de asfalto moderna, com capacidade para produzir 80 toneladas por hora, além de caminhões térmicos que mantêm a massa asfáltica na temperatura correta por até 24 horas.

 

“Como falta mão de obra, você tem que investir em tecnologia. O pátio de máquinas da prefeitura precisava ser refeito, ele sumiu. Quem anda pela rua e vê um caminhão nosso coletando galho em um canteiro central de rua, é vergonhoso. Parece o Robocop quando tomou aquele monte de tiro e ficou estragado”, ironiza o secretário, justificando o investimento recente de 24 milhões de reais em novos maquinários.

 

Rigor no laboratório e o fantasma da Tiradentes

O ritmo de pavimentação asfáltica nos bairros ganhou celeridade. Em 92 dias úteis de trabalho — descontados os períodos de chuva —, o município contabilizou cerca de 150 ruas totalmente pavimentadas e 56 quilômetros de asfalto novo aplicado. Mussio admitiu ter levado um susto com as condições de tráfego que encontrou na periferia urbana ao assumir a função.

 

“Quando você fala que a prefeitura fez financiamento de 200 milhões de reais para fazer asfalto na cidade, eu imaginei que ia pegar uma cidade sem buraco. E aí eu tomei um susto. O Jardim Império do Sol, eu fui andar e não tinha como andar com carro. Eram crateras”, aponta.

 

Confrontado sobre obras que apresentaram deterioração precoce na cidade em períodos anteriores — como o emblemático caso do recapeamento da Avenida Tiradentes —, o secretário foi categórico ao apontar falhas de fiscalização técnica e defendeu o uso rigoroso do laboratório municipal para proteger o erário.

 

“Eu não estou sugerindo, estou afirmando com certeza absoluta que houve uma falta de controle. Tendo um laboratório, houve uma falta de controle. Todo o asfalto aplicado em Maringá nós exigimos que passe pelo nosso laboratório. Vai ver teor de betume, vai ver a granulometria da pedra, vai ver se o que está colocado no documento realmente é o que está sendo entregue”, afirma.

 

Mussio revelou que, na atual gestão, empresas terceirizadas que entregaram asfalto fora das especificações foram notificadas imediatamente para refazer o serviço sem custos para a cidade. “O prejuízo não pode ser para o município, para quem pagou a conta”, pontua.

 

Manejo de águas pluviais e o laboratório na pedreira

Os problemas crônicos de drenagem urbana e alagamentos motivaram uma comitiva técnica recente a buscar soluções inovadoras na Holanda. O conhecimento acumulado pelos engenheiros de carreira que integraram a viagem será aplicado na prática em Maringá, por meio de um centro de testes inédito focado no escoamento de águas pluviais.

 

“Provoquei os três engenheiros: vamos montar um laboratório na Pedreira Municipal de Maringá para testar formas de drenagem, de contenção, jardim drenante. Nós vamos começar a trabalhar isso. Algo muito modesto, que não chega perto do que tem fora, mas virado para a nossa necessidade”, anuncia.

 

O foco principal é descentralizar o manejo da água antes que ela atinja os pontos críticos de inundação. “Não adianta eu chegar lá embaixo, fazer uma obra e esperar com que essa água chegue toda lá com toda a força para depois eu resolver. Eu tenho que vir por caminhos resolvendo para que ela não chegue naquele ponto”, esclarece Mussio.

 

A experiência também abriu debates sobre a flexibilização do uso do solo e o aumento das áreas permeáveis nas calçadas ao redor de árvores de grande porte, visando garantir maior infiltração de água e evitar quedas que comprometem a segurança de pedestres, residências e da rede elétrica.

 

Licitação milionária e a vidraça eleitoral

A gestão da imensa cobertura arbórea da cidade — um dos principais patrimônios ambientais de Maringá — ganhou contornos definitivos com o lançamento de uma licitação superior a 80 milhões de reais. O montante expressivo foi defendido pelo secretário como uma medida drástica, porém indispensável, para zerar passivos históricos acumulados em gestões passadas.

 

“Nós temos parecer para remoção de 5.600, 6.000 árvores. Tenho na fila de espera mais milhares. Qual foi a ideia? Vamos fazer uma licitação para remoção de 12 mil árvores e 40 mil podas ao ano. Quando você faz a poda, você diminui drasticamente a queda de árvores, porque você equilibra ela, tira o peso. É um trabalho necessário, até mais necessário do que a remoção. É caro, mas é o preço de se estar em uma cidade arborizada”, argumenta.

 

Mussio explicou que o formato do certame foi alterado de registro de preço para contrato firme após apontamentos do Observatório Social e do Tribunal de Contas. Ele destacou que o plantio das novas mudas continuará sob responsabilidade direta das equipes da prefeitura, garantindo o cumprimento do Plano de Gerenciamento de Arborização.

 

Ao fim da entrevista, o secretário comentou com naturalidade as críticas recebidas por intervenções asfálticas pontuais e emergenciais, como a pavimentação temporária realizada no canteiro central da Avenida Guaiapó, em frente ao CSU.

 

“Na frente do CSU fomos obrigados a fazer um concreto na calçada. E quando foi feito, já foi dito: isso é provisório. Toda chuva tinha que ir para a Guaiapó lavar a avenida, causar acidentes, descobrir raízes. As pessoas não entendem, mas já está no projeto que, quando fizer a drenagem, será cortada a faixa do meio novamente. Nós estamos em ano eleitoral, então o pessoal é vidraça. Se você é vidraça, vai tomar pedrada mesmo, à vontade. Mas quem está na vidraça tem que tomar decisão”, conclui.

 

Serviço

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o secretário Vagner Mussio já está disponível no canal do Maringá Post no YouTube, com produção de áudio e vídeo realizada pelo VMark Estúdio.