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Chocolate: veja os benefícios e como escolher versões mais saudáveis

Governo detalha lei que estabelece quantidade de cacau em chocolates

Poucos alimentos despertam tanta paixão quanto o chocolate. Este alimento está presente no dia a dia de milhões de pessoas e movimenta um mercado global bilionário. Segundo pesquisas da consultoria Mordor Intelligence, é uma economia que atinge cerca de US$ 115,92 bilhões por ano, podendo alcançar US$ 137,88 bilhões até 2029.

No entanto, quando o assunto é saúde, nem todo chocolate é igual. Os benefícios tradicionalmente associados ao alimento estão relacionados principalmente ao cacau, sua principal matéria-prima. Quanto maior a concentração desse ingrediente, maior tende a ser a presença de compostos bioativos e menor a quantidade de açúcar e outros aditivos presentes na formulação.

No Brasil, esse tema também ganhou destaque com o debate sobre a falta de padronização e transparência na composição dos chocolates vendidos no país. Muitos produtos comercializados como “chocolate” possuem baixo teor de cacau e altas quantidades de açúcar, gordura e outros ingredientes, o que pode confundir o consumidor. Assim, a Lei nº 15.404/2026, publicada no Diário Oficial da União, estabeleceu percentuais mínimos de cacau para diferentes categorias de chocolates e produtos derivados, além de obrigar fabricantes nacionais e importados a informar de forma clara a quantidade do ingrediente nas embalagens.

Os critérios seguem, em grande parte, normas já estabelecidas pela ANVISA para produtos derivados do cacau. De forma geral, o chocolate ao leite e o meio amargo devem conter, no mínimo, 25% de sólidos de cacau. Já os chocolates amargos costumam apresentar pelo menos 35% de cacau, enquanto o chocolate branco que não contém massa de cacau, deve ser produzido com, no mínimo, 20% de manteiga de cacau.

Segundo a Dra. Marcela Reges, médica e professora da pós-graduação em Nutrologia da Afya Goiânia, é justamente o cacau que concentra os principais benefícios nutricionais do chocolate. “O alimento é rico em flavonoides, compostos com ação antioxidante que ajudam a combater os radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento precoce das células e ao desenvolvimento de diversas doenças. Quando consumido com moderação e dentro de uma alimentação equilibrada, o cacau pode contribuir para a proteção do organismo”, explica.

A especialista destaca ainda os efeitos positivos para a saúde cardiovascular e para o cérebro. “Os flavonoides do cacau podem favorecer a circulação sanguínea e contribuir para o controle da pressão arterial, devido à melhora da função endotelial, fundamental para a saúde do coração. Além disso, o consumo equilibrado pode auxiliar na função cognitiva e na concentração”, afirma.

Além dos benefícios físicos, o cacau também pode contribuir para o bem-estar emocional. De acordo com Diego Righi, professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, o ingrediente possui compostos capazes de atuar em neurotransmissores relacionados ao humor. “O cacau pode influenciar a produção de serotonina e outros neurotransmissores ligados à sensação de prazer e relaxamento, o que ajuda a explicar por que muitas pessoas relatam sensação de bem-estar após consumir chocolate”, comenta.

O especialista ressalta ainda que os benefícios dependem da qualidade do produto escolhido e da moderação no consumo. “Os polifenóis presentes no cacau também podem favorecer o crescimento de bactérias benéficas no intestino, especialmente quando o consumo faz parte de uma alimentação equilibrada, rica em fibras, frutas e vegetais”, acrescenta.

Assim, para os fãs de chocolate, a principal dica dos especialistas é olhar além do sabor e observar a composição do produto. Optar por chocolates com maior teor de cacau e consumi-lo com equilíbrio é uma forma de aproveitar o prazer proporcionado pelo alimento sem abrir mão da saúde.

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