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Decepção à vista: Mudar ou abrir empresas no Paraguai não é certeza de sucesso.

Decepção à vista: Mudar ou abrir empresas no Paraguai não é certeza de sucesso.

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A onda de migração de indústrias brasileiras para o Paraguai – impulsionada pela Lei de Maquila (Lei nº 1.064/1997 – lei de atração de investimentos com impostos de 1%) – é um fenômeno econômico real que afeta muito de perto o Paraná devido à proximidade geográfica.

Até meados de 2026, o Paraguai registrou cerca de 320 indústrias operando sob o regime de Maquila no total geral.

A fatia brasileira

Estima-se que entre 60% e 70% de todas as indústrias “maquiladoras” no Paraguai sejam de capital brasileiro ou filiais de empresas do Brasil; o que representa mais de 200 empresas.

Recorte do Paraná

O governo paraguaio e as câmaras de comércio, como a Câmara de Comércio Paraguai-Brasil, não costumam divulgar o dado segmentado por estado de origem de forma pública e atualizada. No entanto, líderes industriais apontam que o Paraná e São Paulo dividem o topo da lista, concentrando a imensa maioria das empresas, principalmente nos setores têxtil, de plásticos, autopeças e alimentos.

Muitas dessas indústrias não fecharam as portas no Paraná; elas adotaram um modelo híbrido, mantendo a sede administrativa ou parte da distribuição no Brasil e enviando a linha de montagem pesada para o país vizinho para reduzir custos operacionais em até 30% a 40%.

Quantas viram que a realidade é outra?

Não há uma estatística oficial de “taxa de arrependimento”, mas consultorias de comércio exterior e entidades como a Fiep -Federação das Indústrias do Estado do Paraná – apontam que os casos de empresas que fecham as portas e retornam frustradas são minoria, embora os gargalos reais peguem muitos empresários de surpresa.

A “decepção” geralmente não faz o empresário falir, mas reduz drasticamente a margem de lucro que ele calculava no papel. Os principais choques de realidade que causam essa frustração incluem:

Logística e Infraestrutura

O Paraguai oferece energia elétrica muito barata (da usina de Itaipu) e imposto unificado de 1% no regime de Maquila. Porém, a infraestrutura rodoviária e a burocracia nas aduanas de fronteira (como a Ponte da Amizade) frequentemente geram atrasos. O custo que se economiza em imposto, às vezes, perde-se com caminhões parados na fiscalização.

Exigência de Origem – Regra do Mercosul

Para o produto feito no Paraguai entrar no Brasil, sem pagar a Tarifa Externa Comum (TEC), ele precisa respeitar critérios rígidos de composição. Até 2022 havia maior flexibilidade, mas as regras exigem que uma porcentagem significativa do valor do produto seja de fato gerada na região.

Empresas que tentaram apenas importar peças da China, montar no Paraguai e mandar para o Brasil sem agregar valor real acabaram barradas pela Receita Federal.