MARIA CLARA MATOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – João Paulo Ferreira, CEO do grupo Natura, disse nesta terça-feira (11) afirmou que o conglomerado de produtos de beleza busca uma correção de rota depois de ver seu lucro líquido derreter 82%, para R$ 35 milhões nesse no segundo trimestre.
Ferreira diz que a empresa enfrentou uma severa escassez de produtos, um “contexto macroeconômico desafiador” que tem afetado a renda das famílias e, consequentemente, o consumo, além de questões operacionais da própria empresa.
“Os resultados do segundo trimestre frustraram nossas expectativas”, afirmou o CEO. “O contexto macroeconômico tem afetado a renda das famílias e o consumo, criando um vento contrário”, afirmou em teleconferência a analistas.
“Levar o rigor na execução é prioridade para o conselho e para o grupo executivo, para evitar novos tropeços”, disse. “A correção de rota está fundamentalmente em nossas mãos. Nossa maior prioridade é restaurar o nível de serviço.”
Apesar dos números fracos, a empresa sinalizou que deve continuar com investimentos em marketing e rejeitou cortes, afirmando que os desafios são transitórios e não estruturais. Uma recuperação gradual das operações no Brasil é esperada ao longo do segundo semestre.
Segundo João Paulo Ferreira, os resultados positivos da Natura na América Latina -como Chile, Peru e México, com exceção da Argentina, onde a receita ficou abaixo da inflação local- foram ofuscados pelo desempenho ruim no país de origem, o Brasil.
De acordo com Silvia Villas Boas, diretora financeira do grupo, o principal motor do trimestre foi o desempenho sólido do México, ligada à consultoras e lares consumidores da Avon.
Além da derrocada do lucro, no Brasil, a Natura registrou uma receita líquida de R$ 5,17 bilhões, o que representou um encolhimento de 9,1% para os R$ 5,68 bilhões do segundo trimestre de 2025.
Outro ponto levantado como um dos motivos para a queda no Brasil foi a adaptação à substituição do ICMS em São Paulo, categorizada como um impacto fiscal temporário pelos executivos do grupo. “No Brasil, o faturamento recuou 14,8% em relação ao segundo trimestre de 2025. Dos quais, ao menos 2% representam o impacto do ICMs-ST em São Paulo”, afirmou Villas Boas.
A Natura também pretende continuar investindo em campanhas voltadas para a geração Z para se adaptar ao mercado, acrescentou o CEO João Paulo Ferreira. O executivo citou como exemplos estratégias comerciais com influenciadores e artistas, como a campanha da Natura Ekos com a cantora Anitta.
Mesmo com os resultados, as ações do grupo operam em alta nesta terça-feira (10). No Ibovespa, onde os ativos ordinários NATU3 são negociados, os papéis subiam 3,22% às 13h34, a R$ 8,34.
Em março deste ano, a Natura informou ao mercado que firmou um compromisso vinculante com o fundo de investimentos Advent International para a venda de 8% a 10% das ações da companhia. A entrada na empresa brasileira se deu a partir do fundo de investimentos em participação multiestratégia Lotus, gerido pela Advent, que passou a ser titular de 90.676.500 ações da fabricante de cosméticos.
A participação minoritária de 8% garante à Advent a indicação de dois membros para o conselho de administração da companhia, além da participação de alguns comitês de assessoramento do colegiado.
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