Um adolescente de 15 anos ligou para as autoridades por volta das 17h30 de quinta-feira para confessar que havia matado a mãe, em Algés, no distrito de Lisboa. O crime, cometido com um golpe conhecido como mata-leão, aconteceu 21 horas antes de a Polícia de Segurança Pública (PSP) ser alertada e chegar ao local, onde o corpo da vítima estava caído na entrada de casa.
Da discussão à proteção da irmã
A rotina naquela casa do Bairro Clemente Vicente, no município de Oeiras, não vinha sendo tranquila para aquela família. A mãe, de 33 anos, e os filhos, de 15 e quatro anos, haviam chegado ao quarto andar do prédio em frente à Avenida Marginal pouco mais de “um mês” antes, segundo contou Fátima Messias, vizinha da frente, ao Observador.
A vizinha conta que via as crianças “correndo para lá, correndo para cá” e que, de vez em quando, também via a mulher fumando na janela, quando ela acenava. Dentro de casa, porém, também havia agitação. Fátima Messias se lembra de ter ouvido um grito “muito alto” na quarta-feira, noite em que, como se sabe agora, o crime aconteceu.
Outro vizinho, que não quis se identificar, contou que as discussões entre mãe e filho aconteciam com frequência e afirmou: “Ele se comportava mal com a mãe”.
A família, de origem brasileira, também é formada pela irmã de quatro anos. Não se sabe se a menina presenciou o crime, mas, de acordo com a confissão citada pelo Correio da Manhã (CM), ela teria sido a motivação para a agressão.
O adolescente teria contado às autoridades que quis proteger a irmã. Segundo a publicação, o suspeito afirmou ter visto a mãe maltratando a menina e, por isso, a confrontou. A discussão acabou escalando e se tornou violenta. O jovem então teria asfixiado a mãe com um mata-leão, um golpe de estrangulamento utilizado nas artes marciais.
Depois que a mãe caiu inconsciente, o adolescente cuidou da irmã, colocou-a para dormir e passou a noite em casa. Na manhã seguinte, continuou cuidando da menina e preparou seu almoço. Cerca de duas horas antes de ligar para as autoridades, ele ainda foi visto passeando de mãos dadas com a irmã.
Segundo fontes próximas à família contaram ao CM, o pai do adolescente e da menina de quatro anos está preso há cerca de um ano por violência doméstica. O filho não teria perdoado a mãe pela denúncia que levou à condenação do pai, o que também poderia, segundo a mesma publicação, ter influenciado seu comportamento.
Por ter menos de 16 anos, o futuro do adolescente está agora nas mãos do Tribunal de Família e Menores, onde será instaurado um processo tutelar educativo. A Polícia Judiciária investiga o caso, enquanto a menina de quatro anos deixou o local acompanhada por psicólogos do INEM.
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