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Coordenador de campanha de Lula defende recompra de títulos da dívida e alta de imposto para super-ricos

Coordenador de campanha de Lula defende recompra de títulos da dívida e alta de imposto para super-ricos

CATIA SEABRA E LUANY GALDEANO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O economista José Sergio Gabrielli, coordenador-geral do programa de governo para a candidatura do presidente Lula (PT), defende que o Tesouro Nacional intervenha no mercado de títulos públicos com o objetivo de reduzir os juros de longo prazo.

À reportagem Gabrielli diz ainda que a campanha discute elevar novamente o imposto de renda dos “super-ricos” em um próximo mandato, para além das mudanças que entraram em vigor neste ano.

Segundo Gabrielli, que foi presidente da Petrobras, uma das possíveis medidas seria a recompra dos títulos públicos, a exemplo da anunciada na semana passada pelo governo dos Estados Unidos, para conter a alta de juros.

No Brasil, essa política é adotada como forma de estabilizar o mercado quando ele está disfuncional. Em março, por exemplo, o Tesouro adquiriu quase R$ 30 bilhões em títulos devido à perspectiva de a Selic permanecer elevada, resultado da guerra no Irã. A compra foi a maior atuação do órgão no mercado de juros desde 2020, quando foi declarada a pandemia de Covid-19.

Gabrielli atribui a alta da dívida aos encargos dos juros, e não ao descontrole de gastos do governo. O setor privado defende restrição fiscal para conter despesas públicas.

Gabrielli criticou editorial da Folha de S. Paulo publicado na capa da edição de 16 de agosto. O texto cobrava medidas urgentes de redução de despesas federais para evitar uma crise fiscal e a continuidade dos juros elevados. O coordenador do programa de governo de Lula afirmou que o editorial colocou o Brasil “à beira do caos”.

Embora na função de coordenação do programa de governo, Gabrielli não tem sido escalado para falar em nome da campanha do presidente desde uma entrevista à Folha de S. Paulo em junho.

Suas críticas ao arcabouço provocaram o “efeito Gabrielli” e levaram o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a buscar reduzir danos no mercado. A campanha de reeleição do presidente Lula também foi orientada a propor novas mudanças no imposto de renda, de acordo com o economista, para elevar a alíquota para as maiores rendas.

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