Um dos desenhos infantis mais populares do mundo, “Masha e o Urso”, passou a ser alvo de uma controvérsia internacional envolvendo propaganda política e influência cultural da Rússia. A Ucrânia impôs sanções contra produtores e distribuidores da animação, acusando a série de disseminar narrativas pró-russas sob a aparência de conteúdo destinado ao público infantil.
As medidas foram formalizadas por decreto assinado pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em 20 de agosto. A lista inclui cinco cidadãos russos e quatro organizações relacionadas à produção e distribuição da série, entre elas a Animaccord, estúdio responsável pelo desenho.
Segundo o governo de Kiev, a produção funcionaria como uma ferramenta de “poder cultural” russo, ajudando a construir uma imagem positiva do país entre crianças de diferentes partes do mundo. As autoridades afirmam ainda que a atividade comercial relacionada à série gera receitas que acabam alcançando o Estado russo.
A Ucrânia pretende utilizar as sanções como base jurídica para restringir a exibição da animação no país e pressionar plataformas internacionais a limitar sua distribuição e monetização.
A controvérsia, entretanto, não começou agora. Críticos da série já haviam apontado episódios contendo referências militares e símbolos associados à antiga União Soviética. No Reino Unido, parlamentares também solicitaram que plataformas de streaming avaliassem a permanência do desenho em seus catálogos.
A interpretação é contestada pela produtora. A Animaccord afirma que as acusações são falsas e difamatórias e sustenta que o estúdio opera de forma independente, sem financiamento do governo russo.
O Kremlin também reagiu. O porta-voz Dmitri Peskov criticou a decisão ucraniana e afirmou que a série conquistou o público internacional justamente por apresentar valores considerados positivos.
Criado em 2009, “Masha e o Urso” tornou-se um fenômeno global. O desenho é exibido em cerca de uma centena de países e acumulou dezenas de bilhões de visualizações no YouTube. Um dos episódios mais populares ultrapassou 4,6 bilhões de visualizações.
No Brasil, a discussão ganhou atenção nesta quinta-feira (27), após a embaixada da Ucrânia reforçar o alerta sobre a possibilidade de utilização de produtos culturais russos como instrumentos de influência. A repercussão ocorre paralelamente à chegada de novos conteúdos da franquia ao mercado brasileiro.
O caso abre uma discussão que vai além de um desenho infantil: onde termina a influência cultural e começa a propaganda política? Até o momento, as acusações de propaganda são apresentadas pelas autoridades ucranianas e por críticos da produção, enquanto os responsáveis pela série negam qualquer vínculo com uma estratégia de propaganda estatal.
















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