O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu à Justiça a condenação do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ulisses Gabriel por sua atuação no caso do cão Orelha, que morreu em Florianópolis em janeiro de 2026.
A Promotoria pede uma multa que pode chegar a R$ 795 mil, além de R$ 200 mil por dano moral coletivo. Também solicita que o ex-delegado fique impedido de contratar com o poder público por quatro anos.
O caso Orelha ganhou grande repercussão depois que o cachorro, conhecido como um animal comunitário, morreu na Praia Brava, em Florianópolis. Inicialmente, a investigação levantou a suspeita de que o animal teria sido agredido.
Durante a apuração, o então delegado-geral Ulisses Gabriel passou a divulgar informações sobre o caso e teve participação pública frequente nas redes sociais.
O Ministério Público passou a questionar justamente essa atuação. Segundo a Promotoria, o ex-delegado teria ultrapassado os limites da comunicação institucional e utilizado a repercussão da investigação para promoção pessoal.
O MPSC afirma que Ulisses fez mais de 40 publicações relacionadas ao caso. No mesmo período, os canais oficiais da Polícia Civil fizeram sete publicações sobre o assunto.
A Promotoria também aponta que o ex-delegado ganhou cerca de 75 mil seguidores durante o período de maior repercussão do caso.
A investigação sobre a conduta de Ulisses começou em fevereiro. Entre os pontos analisados pelo Ministério Público estão possível violação de sigilo funcional, abuso de autoridade, improbidade administrativa e antecipação de culpa de pessoas investigadas.
O caso teve uma mudança importante durante a própria investigação da morte de Orelha.
Em maio, o Ministério Público pediu o arquivamento da apuração sobre a suposta agressão ao cachorro por falta de provas. Laudos indicaram problemas de saúde e inflamação óssea, e a Promotoria concluiu que não havia elementos suficientes para confirmar que adolescentes investigados haviam causado a morte do animal.
Assim, a ação contra o ex-delegado-geral não significa uma nova acusação contra os adolescentes investigados pela morte de Orelha.
O processo atual discute especificamente a conduta de Ulisses Gabriel na forma como a investigação foi conduzida e divulgada.
A defesa do ex-delegado nega irregularidades e afirma que sua atuação ocorreu dentro das atribuições do cargo.
O pedido do Ministério Público ainda será analisado pela Justiça. Portanto, os valores e as demais medidas solicitadas pela Promotoria não representam uma condenação.
O caso Orelha, que começou com a morte de um cão comunitário e provocou forte mobilização nas redes sociais, agora também envolve uma discussão sobre os limites da atuação de autoridades policiais na divulgação de investigações.
















Adicionar Comentário