SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Revisitar um clássico não é tarefa fácil. Um que tenha rendido indicações ao Oscar às pessoas envolvidas, então, menos ainda. Mas é o caso de “Carrie, A Estranha”, que mudou a forma como a indústria encarava os filmes de terror em 1976 e agora volta em formato de série, cuja estreia será nesta quarta-feira (7) no Amazon Prime Video.
O desafio foi proposto pelo diretor Mike Flanagan (de “A Vida de Chuck” e “A Maldição da Residência Hill”, entre outros trabalhos) e encarado pelas atrizes Summer H. Howell, 22, e Samantha Sloyan, 47. Elas revivem os papéis de Carrie e Margaret White, vividas no filme original por Sissy Spacek, 76, e Piper Laurie (1932-2023).
Na nova produção, as personagens ganham camadas mais contemporâneas, com o bullying sofrido pela personagem-título sendo praticado de forma online por meio de um perfil anônimo nas redes sociais. Já a superproteção da mãe não vem mais apenas do extremismo religioso, mas de crenças conspiracionistas que vão fazendo a família se isolar cada vez mais da sociedade -até que a dupla é obrigada, por motivos externos, a sair do casulo.
Samantha Sloyan conta que, apesar de ser familiarizada com a história, soube desde o começo que não teria como se apegar muito a isso para criar sua versão da personagem. “Eu vi o filme quando era mais nova e também li o livro, não faz muito tempo”, lembrou em conversa com à reportagem.
“Mas quando Mike me apresentou o projeto e conversou comigo sobre ele, e soubemos que a relação entre Margaret e Carrie mudaria radicalmente”, afirmou. “Isso realmente me libertou daquelas representações e me permitiu explorar um tipo diferente de Margaret.”
De todo modo, a construção premiada de Piper Laurie funcionou como um guia. “Ainda que fosse outra construção, eu queria aproveitar algumas das características que Margaret já tinha antes”, disse. “Queria que ela fosse perigosa, queria que fosse assustadora e queria ter certeza de que não perderíamos esses elementos -e acho que não perdemos.”
Nascida em outra geração, Summer H. Howell revelou que só foi assistir ao clássico depois de filmar, para não se sentir influenciada. “Quando recebi o teste, decidi que queria criar minha própria versão dela”, afirmou. “Geralmente gosto de dar meu toque pessoal às personagens quando posso.”
“Sabendo que a história já tinha sido adaptada antes, mas que eu não tinha visto o filme nem lido o livro, encarei isso como uma oportunidade de simplesmente fazer do meu jeito”, contou. “Então, quando finalmente consegui o papel e tivemos nossa primeira conversa, Mike concordou comigo. Ele disse: ‘Faça do seu jeito, e depois a gente assiste’.”
A primeira vez que ela viu o filme de 1976, inclusive, foi com a equipe e com o resto do elenco em Vancouver, no Canadá, onde a produção foi filmada. A sessão contou com presença de moradores da cidade. “E, alguns meses depois, quando me senti pronta, li o livro”, afirmou.
Sobre o que ela queria que as pessoas vissem de Carrie, para além da cena mais lembrada do filme -em que, após levar um banho de sangue de porco ao ser eleita rainha do baile, sua raiva avassaladora acaba provocando um incêndio na escola-, ela disse que focou o lado inocente da personagem.
“Eu queria mostrar às pessoas a gratidão dela, seu entusiasmo para conhecer o mundo, porque Carrie passou a vida inteira dentro de casa, ao contrário das versões anteriores”, comentou, antecipando outra mudança relativa à trama.
Ela também lembrou que a personagem está em luto, já que a história começa quando o pai dela sofre um grave acidente. “Ela está lidando com a morte do pai, mas, ao mesmo tempo, ganhou essa nova liberdade”, avaliou. “Então, ela realmente enfrenta um conflito entre essas emoções -sobre qual delas escolher a cada dia-, e escolhe se apresentar ao mundo com gentileza, tentando ao máximo continuar assim mesmo quando é maltratada.”
A atriz conta que, claro, assim como a maioria das pessoas, já enfrentou situações chatas quando estava na escola, mas nada que chegasse ao nível do que a personagem experimenta “Nunca sofri bullying como Carrie”, comparou. “Mas com certeza já me senti excluída e como se não pertencesse.”
“Passei por diferentes grupos de amigos, e o ensino médio é, na maior parte do tempo, simplesmente confuso e desconfortável”, continuou. “Então, acho que é uma experiência universal, não importa se você praticou bullying, se sofreu bullying ou se presenciou isso, sem saber muito bem de que lado ficar.”
Howell também afirmou que quem pratica e quem sofre bullying podem estar em situações mais próximas do que se imagina. “É muito comum tentar se proteger sendo cruel”, analisou. “Sem dúvida já me vi agindo assim, e é frustrante pensar nisso.”
Ela ainda disse acreditar que, nessa equação, as novas gerações têm a tecnologia como fator complicador. “Na adolescência, você deveria ter a chance de amadurecer e aprender com os próprios erros, sem que tudo ficasse registrado na internet para todo mundo ver e fosse compartilhado com o mundo para sempre”, afirmou.
“CARRIE, A ESTRANHA”
Quando Os oito episódios da 1ª temporada ficarão disponíveis às 4h do dia 7/10 no Prime Video
Classificação 18 anos
Elenco Summer H. Howell, Samantha Sloyan, Siena Agudong, Alison Thornton, Joel Oulette, Amber Midthunder e Matthew Lillard, entre outros
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