A ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, foi chamada a depor no julgamento que envolve o bilionário Elon Musk e o cofundador e atual CEO da empresa, Sam Altman.
Em depoimento sob juramento, Murati afirmou nesta quarta-feira, 6, que Altman mentiu sobre os protocolos de segurança relacionados a um novo modelo de inteligência artificial. Segundo ela, o executivo disse que não seria necessário submeter o sistema aos procedimentos internos de segurança, alegando que a decisão havia sido aprovada pelo departamento jurídico. De acordo com Murati, essa informação não era verdadeira.
Atualmente à frente da startup Thinking Machines Lab, também voltada à inteligência artificial, Murati relatou ainda que enfrentou dificuldades durante seu período na OpenAI por causa da atuação de Altman.
“Tive um trabalho incrivelmente difícil em uma organização muito complexa”, disse, segundo o site The Verge. “Pedia ao Sam para liderar com clareza e não prejudicar a minha capacidade de fazer o meu trabalho.”
Não é a primeira vez que Altman é acusado de mentir a colegas. Uma reportagem recente da revista The New Yorker aponta que vários profissionais se afastaram da OpenAI por esse motivo, além de críticas de que o CEO não prioriza a segurança no desenvolvimento de sistemas de IA.
“O problema da OpenAI é o próprio Sam”, afirmou Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic e ex-vice-presidente de pesquisa da OpenAI.
Um membro do conselho da empresa, ouvido pela publicação, também criticou o comportamento de Altman. “Ele não se prende à verdade. Tem duas características que raramente vemos juntas: um forte desejo de agradar e uma falta quase sociopata de preocupação com as consequências de enganar alguém”, afirmou.
A origem do conflito entre Musk e Altman
A relação entre Elon Musk e Sam Altman começou há mais de uma década. Em 2012, Altman foi apresentado ao empresário e compartilhou a ideia inicial da OpenAI.
Em 2015, Musk integrou o grupo de cofundadores da empresa, que também incluía Altman, Greg Brockman e Ilya Sutskever. Inicialmente, a OpenAI foi criada como uma organização sem fins lucrativos, com o objetivo de desenvolver uma inteligência artificial avançada e evitar a concentração dessa tecnologia nas mãos de grandes empresas como o Google.
Com o tempo, porém, a necessidade de financiamento levou à criação de uma estrutura com fins lucrativos. Apesar de hoje criticar essa mudança, a OpenAI afirma que Musk apoiava a transição antes de deixar a empresa, em 2019.
Relatos indicam que Musk tentou assumir o controle da companhia e até cogitou integrá-la à Tesla, mas a proposta não avançou. Após divergências com os demais fundadores, ele deixou o projeto.
Posteriormente, a OpenAI firmou parceria com a Microsoft e ganhou projeção global com o lançamento do ChatGPT, em 2022, atraindo bilhões de dólares em investimentos.
Musk, por sua vez, fundou a xAI e passou a competir diretamente com a OpenAI, mantendo críticas frequentes a Altman, a quem já chamou de “escroque” e “Scam Altman”, em referência ao termo inglês para fraude.
















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