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histórias em Maringá mostram que amor vai além

Dia das Mães: histórias em Maringá mostram que amor vai além do nascimento

Neste Dia das Mães, histórias de moradoras de Maringá ajudam a ampliar o olhar sobre o que significa ser mãe. Longe de um único modelo, a maternidade aparece em diferentes formas — seja na decisão de adotar ou na coragem de enfrentar riscos para garantir a vida de um filho.

Em comum, essas trajetórias têm o amor como ponto central.

Aos 69 anos, Maria Odília Pinto da Silva vive uma maternidade que começou de forma diferente da maioria das histórias. Foi já na terceira idade que ela decidiu adotar Wesley, então com 10 anos, iniciando uma nova fase em sua vida. Quase dez anos depois, ela olha para trás com a certeza de que tomou a melhor decisão.

“É a melhor coisa que eu já fiz. Eu me sinto muito bem, me sinto realizada”, afirma.

A escolha, no entanto, não foi apenas um gesto de vontade, mas também de consciência. A adoção tardia — de crianças mais velhas — ainda enfrenta resistência, mas Maria Odília decidiu seguir um caminho diferente, dando oportunidade a quem muitas vezes é deixado de lado.

Com o passar dos anos, a relação entre mãe e filho foi construída com base na convivência, no cuidado e no afeto diário. Hoje, o menino que chegou aos 10 anos já é um jovem cheio de planos.

“Ele já está trabalhando, terminou o terceiro ano, está pensando em fazer faculdade, está namorando”, conta com orgulho.

A transformação não foi apenas na vida dele, mas também na dela. A maternidade trouxe novos sentidos e experiências, mostrando que nunca é tarde para recomeçar.

Família de Maria Odila hoje. Foto: Arquivo pessoal

“Eu aprendi a ser mãe com ele. Foi tudo construído aos poucos, no dia a dia.”

A relação entre os dois se fortaleceu ao longo do tempo e hoje é marcada pela proximidade.

“Hoje a gente é bem próximo, a gente conversa bastante”, diz.

Mesmo com o amadurecimento do filho, ela reconhece um sentimento que atravessa gerações:

“Quando ele era pequeno, falava mais, corria bastante… agora está com comportamento de adulto. Mas pra mãe, vai ser sempre uma criança.”

Entre as lembranças mais marcantes, ela valoriza os momentos simples, que ajudaram a construir o vínculo.

“Eu lembro de quando eu brincava com ele.”

A história da família ganhou um novo capítulo em 2019, quando Maria Odília decidiu ampliar ainda mais esse amor. Foi quando chegou Tainá Letícia, fortalecendo ainda mais os laços familiares.

“Agora temos uma filha também. Ela chegou em 2019”, conta.

Para ela, ser mãe não está ligado à idade, mas à disposição de cuidar e amar.

“Ser mãe é estar presente todos os dias. É cuidar, orientar, acompanhar.”

Neste Dia das Mães, Maria Odília resume sua trajetória com simplicidade, mas com profundidade:

“Eu escolhi amar — e isso mudou tudo.”

Coragem e amor: mãe enfrentou riscos na gestação para ter a filha

Outra história que marca este Dia das Mães em Maringá é a de Rosângela Santos, conhecida como Rose. Mãe de Camila e Carolina, ela enfrentou um dos momentos mais difíceis da sua vida durante a gestação de sua segunda filha, Caroline Santos.

Na época, Rose enfrentava problemas de saúde e recebeu orientação médica para interromper a gravidez. A recomendação vinha acompanhada de preocupações com sua própria vida.

Mesmo diante desse cenário, ela tomou uma decisão que mudaria sua história.

“Ser mãe pra mim é algo incrível”, afirma.

A gestação foi marcada por dores intensas e por constantes incertezas. Médicos chegaram a afirmar que a gravidez poderia não evoluir e que um aborto espontâneo era provável.

Ainda assim, ela seguiu firme.

“Eu sentia muitas dores, mas não desisti. Eu queria minha filha”, relembra.

Em meio ao processo, Rose chegou a pedir para deixar o hospital e continuar a gestação em casa, mesmo com a recomendação de retorno caso o quadro não evoluísse como esperado. Ela não voltou.

Contra todas as expectativas médicas, a gravidez seguiu até o fim — e Caroline nasceu.

Hoje, ao olhar para trás, ela entende que cada momento difícil fez parte de uma escolha maior.

“Eu faria tudo de novo. Porque ser mãe é isso… é amar acima de tudo.”

Com o passar dos anos, a recompensa dessa decisão se mostra no cotidiano da família. Ver as filhas juntas é, para ela, um dos maiores presentes.

“Quando eu vejo a Carol e a Camila juntas, é uma bênção”, diz.

A emoção aparece na forma como ela resume toda a experiência vivida:

“Valeu a pena. Tudo valeu a pena.”

Rosângela Santos com as filhas Camila e Carolina. Foto: Arquivo pessoal

Hoje, ao acompanhar o caminho das filhas, Rose vê na trajetória de Caroline a confirmação de que sua decisão fez sentido. Já adulta e casada, a filha segue a própria vida, assim como as irmãs, construindo novos capítulos. Para a mãe, observar cada uma seguindo seu caminho traz a sensação de missão cumprida.

“Por isso, ver a Caroline hoje, casada, vivendo a vida dela, me mostra que tudo valeu a pena”, afirma. A cena das filhas reunidas, cada uma com sua história, representa para ela mais do que um momento em família — é a prova de que o amor e a coragem que marcaram o passado continuam dando sentido ao presente.

Maternidade além dos padrões

As histórias de Maria Odília e Rose evidenciam que não há um único caminho para a maternidade. Seja pela adoção ou pela decisão de levar adiante uma gestação de risco, as trajetórias mostram que o papel de mãe está ligado ao cuidado, à responsabilidade e à construção de vínculos ao longo do tempo.

Contudo, neste Dia das Mães, os relatos reforçam que a maternidade vai além do nascimento e se consolida na convivência diária, na presença e no compromisso com os filhos.