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“O networking é plantio, não é caça”: Rodrigo Fujihara detalha como o BNI movimenta milhões e transforma negócios em Maringá

“O networking é plantio, não é caça”: Rodrigo Fujihara detalha como o BNI movimenta milhões e transforma negócios em Maringá

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Em entrevista ao Ponto a Ponto, o diretor executivo do BNI na região explica a metodologia por trás da maior rede de networking do mundo, os desafios da pandemia e por que a confiança é o “segredo” do faturamento.

No mundo dos negócios, existe uma máxima antiga: “não é apenas o que você sabe, mas quem você conhece”. Contudo, em uma era de conexões superficiais e excesso de informação, transformar contatos em contratos exige mais do que um simples aperto de mãos. Exige método, constância e, acima de tudo, uma mudança de mentalidade: a substituição do interesse imediato pela contribuição mútua.

É sob essa premissa que o BNI (Business Network International) se consolidou como uma potência global e, nos últimos anos, transformou Maringá em uma referência nacional. Para entender a engrenagem que faz centenas de empresários acordarem às 5h da manhã em busca de parcerias, o podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, recebeu Rodrigo Fujihara, diretor executivo da franquia no Noroeste do Paraná.

Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, Fujihara revelou os bastidores da organização, o impacto econômico na região e como a filosofia do Givers Gain (Ganhar Contribuindo) salvou empresas durante a crise sanitária de 2020.

A origem de uma rede global de confiança

O BNI não nasceu de um plano mirabolante de marketing, mas de uma necessidade real de sobrevivência. Fujihara relembra que o Dr. Ivan Misner, fundador da rede nos Estados Unidos há 41 anos, criou o modelo após perder seu principal cliente de consultoria.

“Ele percebeu que todos os clientes que ficaram tinham vindo através de uma indicação. O que ele fez? Convidou 11 amigos para a casa dele e fez um combinado: ‘Se eu abrir a minha rede de contatos para vocês apresentarem seus produtos, vocês fariam o mesmo por mim?’. O pessoal topou”, conta Rodrigo.

O que começou como um grupo de amigos hoje é uma rede presente em 70 países, com 12 mil equipes e uma movimentação anual que ultrapassa os 25 bilhões de dólares. No Noroeste do Paraná, Fujihara e seu sócio, Vinícius Moraes, lideram uma operação que já soma 12 equipes apenas em Maringá.

O “Poder do Estádio”: por que 80 pessoas valem por 16 mil

Um dos conceitos mais impactantes trazidos por Rodrigo durante a entrevista é o “poder do estádio”. Ele explica que o networking estruturado não se limita às pessoas que estão sentadas à mesa de reunião, mas sim ao alcance das redes de contato de cada uma delas.

“Quando você fala do seu negócio para 80 pessoas em uma reunião, você não está falando apenas para 80. Se cada uma dessas pessoas tiver 200 contatos que pode trabalhar a seu favor, estamos falando de 16 mil pessoas. É o público que cabe no Estádio Willie Davids. Esse é o poder da ferramenta”, detalha o diretor.

Essa escala só é possível devido a uma regra fundamental do BNI: a exclusividade por categoria profissional. Em cada grupo, há apenas um representante de cada segmento — um advogado, um contador, um arquiteto —, eliminando a concorrência interna e fomentando a cooperação.

Sinergias inusitadas: o caso do advogado e o dentista

A eficácia do método muitas vezes se revela em conexões que, à primeira vista, parecem improváveis. Rodrigo exemplifica essa dinâmica com um caso real ocorrido em uma das equipes: a parceria entre um advogado previdenciário e um dentista.

“O advogado atende muitos idosos. Um desses clientes recebeu os atrasados da aposentadoria, um dinheiro considerável, e queria cuidar da saúde bucal. O advogado teve a confiança de referenciar o dentista do seu grupo. São sinergias que a gente, às vezes, não entende no superficial, mas que no profundo fazem todo o sentido”, explica.

“Networking não é troca de cartões, é geração de negócios”

Diferente de eventos sociais de networking, onde a interação costuma ser livre e descompromissada, as reuniões do BNI seguem uma pauta rígida de 26 itens, com foco total em resultados e prestação de contas. Para Fujihara, a transparência é o que garante o retorno sobre o investimento (ROI).

“É importante saber se o que estamos fazendo todas as semanas está dando resultado. No Noroeste do Paraná, o ROI médio é de 35 vezes. Se o empresário investiu R$ 1.000, ele vai obter, teoricamente, R$ 35 mil em negócios. Nos últimos 12 meses, nossa região movimentou cerca de R$ 150 milhões”, revela.

O fator confiança: “Indicação é como casamento”

Para que esses milhões circulem, a base precisa ser a confiança. Rodrigo é enfático ao dizer que o processo de conquista de credibilidade exige tempo e coerência. Ele utiliza uma analogia pessoal para explicar o tempo de maturação necessário para um novo membro.

“Você conheceu sua esposa em um dia e casou no outro? Não. Tem o flerte, o cinema, o namoro. O processo de confiança para abrir o que temos de mais precioso — nossa rede de contatos — funciona da mesma forma. O membro precisa comprovar que o que ele fala é coerente com o que ele entrega.”

Pandemia e sobrevivência: “Se não fosse o BNI, eu teria quebrado”

Um dos momentos mais sensíveis da entrevista foi o relato sobre o período da pandemia de Covid-19. Enquanto o mundo fechava as portas, o BNI Maringá migrou para o ambiente online em apenas duas semanas. O resultado foi surpreendente: a rede não apenas sobreviveu, como cresceu.

“A pandemia foi um dos momentos em que o BNI mais cresceu. Se você precisava de networking com tudo aberto, imagina com tudo fechado. Ouvimos relatos de pessoas que disseram que o único dia bom da semana era o da reunião, porque o resto era depressão ou incerteza. Muitos membros nos dizem nos corredores: ‘Se não fosse o BNI naquela época, minha empresa tinha quebrado’”, relembra Fujihara.

O maior erro: confundir plantio com caça

Ao ser questionado sobre por que algumas pessoas não conseguem prosperar na rede, Rodrigo aponta para um equívoco de postura que serve como lição para qualquer profissional, dentro ou fora do BNI.

“O principal equívoco é confundir plantio com caça. O BNI é plantio. O erro é chegar querendo obter vantagens antes de mostrar seu valor. É a filosofia do Givers Gain: contribuir primeiro para depois querer ganhar. Se 80 empresários vão para uma reunião apenas para vender, quem é que vai comprar? A conta não fecha.”

Expansão e futuro: Maringá como polo de conexões

Atualmente, a franquia liderada por Fujihara e Moraes abrange cidades como Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama, além de permitir conexões internacionais através de um aplicativo que une 300 mil empresários ao redor do globo.

“O BNI hoje permite que você faça negócios com a China, com Portugal ou com Dubai de dentro de Maringá. É uma ferramenta de conexão, verdade e prosperidade”, finaliza o diretor, deixando um convite para que os empresários locais conheçam o “departamento de indicações” que muitas vezes falta em suas empresas.

Serviço

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com Rodrigo Fujihara está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e nas principais plataformas de streaming. A entrevista é produzida em parceria com o VMark Estúdio.