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Roubo de carga cai no estado de SP, mas sobe em cidades do entorno da capital paulista

Roubo de carga cai no estado de SP, mas sobe em cidades do entorno da capital paulista
(FOLHAPRESS) – Municípios da região metropolitana de São Paulo registraram alta de roubo e furto de carga no ano passado, na contramão das estatísticas no estado e na própria capital paulista.

Itapecerica da Serra teve o maior aumento percentual de queixas, com 106 ocorrências em 2025 contra 72 no ano anterior -aumento de 47,2%.

Esse tipo de criminalidade também subiu em Juquitiba, Cotia, Embu das Artes e Guarulhos. Houve aumento ainda em Santos, na Baixada Santista.

Os dados fazem parte de um levantamento realizado Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), em parceria com a empresa de rastreamento Tracker, a partir de boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil.

Os crimes são tanto de trechos urbanos quanto de rodovias que cortam municípios.

De acordo com o estudo, o total de casos no estado de São Paulo caiu 25% na comparação de 2024 com 2025, passando de 5.530 para 4.159 registros.

A tendência de queda se intensificou no início de 2026, com o volume trimestral ficando 30,2% menor na comparação com o mesmo período anterior.

Percentualmente, a maior redução foi nos roubos -de 4.713 ocorrências para 3.468, com 26,4% ocorrências a menos.

Nos furtos, a redução foi de 14,4%. Na conta ainda entram receptação, apropriação indébita, estelionato e adulteração.

A Secretaria da Segurança Pública estadual afirma não comentar pesquisas sem conhecer a metodologia, mas diz manter ações contínuas de combate aos crimes contra o patrimônio em todo o estado, com atuação integrada entre as polícias Civil e Militar, “baseada em análise criminal, inteligência e reforço do policiamento ostensivo”.

Conforme a pasta, a PM intensificou o patrulhamento com ações de saturação e presença em áreas com maior incidência de roubos de carga.

“Paralelamente, a Polícia Civil desenvolve investigações permanentes para identificar e desarticular grupos criminosos envolvidos nessa modalidade criminosa.”

O levantamento indica que o crime tem se deslocado dos grandes centros para cidades do entorno, corredores logísticos e bairros periféricos.

Por outro lado, regiões tradicionalmente com alta nesse tipo de criminalidade, como as de Campinas e Jundiaí, onde há rodovias importantes e centros logísticos e industriais, tiveram quedas expressivas, de até 70%, na comparação entre os dois anos.

“Os criminosos se ajustam às dificuldades colocadas pelo Estado. Campinas e Jundiaí são lugares com grande integração com as forças policiais e meios tecnológicos, como câmeras, quando comparado com áreas da Grande São Paulo, onde é mais difícil manter a segurança”, diz Rafael Alcadipani, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Na nota, a secretaria do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirma contar com sistemas de monitoramento, como o programa Muralha Paulista (de monitoramento), para auxiliar na identificação de suspeitos e na recuperação de cargas.

“O estado registrou queda de 32,44% nos roubos de carga e redução de 10,24% nos furtos de carga no trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior”, diz a pasta.

Vitor Corrêa, gerente de comando e monitoramento do Grupo Tracker, afirma que regiões com crescimento das ocorrências estão conectadas a importantes rodovias e rotas de escoamento. Ele cita as estradas Régis Bittencourt e Raposo Tavares.

A capital paulista segue com maior volume de casos, mas teve queda 24% entre os dois anos comparados.

Bairros das zonas sul e norte concentram as principais estatísticas no município.

A maior variação foi no Capão Redondo, com 35% de alta (40 para 54 casos). Estatísticas da Secretaria da Segurança Pública mostram que o bairro da zona sul paulistana liderou o número de roubos no município (não apenas de carga) no ano passado no município, com quase 4.000 queixas.

O Capão Redondo faz limite com a cidade de Embu das Artes, onde as ocorrências de roubo e furto de carga saltaram 11,9%.

Se no geral, o número de ocorrências caiu cerca de 25% nos municípios paulistas, o valor total estimado das cargas levadas recuou 9,1%, passando de R$ 405,1 milhões em 2024 para R$ 368,1 milhões em 2025.

O prejuízo médio por ocorrência, entretanto, aumentou 19,6%, saltando de R$ 89,9 mil para R$ 107,5 mil, também conforme o levantamento.

“Esse movimento indica uma migração para cargas de maior valor e operações mais seletivas”, diz o pesquisador da Fecap Erivaldo Vieira, responsável pelo estudo.

Roubo e furto de alimentos são os produtos mais levados pelos ladrões. Bebidas, cigarros, eletrônicos e produtos farmacêuticos também entram na lista.

“O crescimento está associado à alta liquidez e facilidade de escoamento no mercado informal. Essas características reduzem o risco para as organizações criminosas”, diz o pesquisador da Fecap.

A pesquisa aponta um dado alarmente. Em quase 80% dos roubos, o motorista foi mantido sob o poder dos criminosos, para evitar reações e dificultar o acionamento de sistemas de segurança, afirma o gerente da empresa de rastreamento.

O levantamento mostra que no ano passado, 40% dos roubos foram em abordagens durante a entrega de mercadorias. Em outros 30%, o veículo estava em movimento.

A concentração das ocorrências no período de terça a sexta-feira, especialmente na manhã e na tarde, reforça a atuação em períodos de atividade logística.