Destaques do Dia • Maringa • Policia

A política troca os velhos caciques por influenciadores?

A política troca os velhos caciques por influenciadores?

Tempo de leitura: 2 min

Nomes que passaram décadas ocupando espaços importantes perderam as eleições. Aécio Neves, Renan Calheiros, Ciro Nogueira e Randolfe Rodrigues ficaram sem mandato. José Dirceu não conseguiu voltar à Câmara. Beto Richa também não foi eleito deputado federal pelo Paraná.

Não é uma lista de desconhecidos.

São ex-governadores, ex-ministros, líderes partidários, ex-presidentes de Casas legislativas e políticos que, durante anos, fizeram parte do centro das decisões nacionais.

Do outro lado aparece uma geração com outra linguagem.

Nikolas Ferreira, de 30 anos, foi reeleito deputado federal por Minas Gerais com votação recorde. Lucas Pavanato, de 28 anos, tornou-se o deputado federal mais votado da história de São Paulo, com 3.038.438 votos.

Eles não chegaram à política pelos caminhos tradicionais.

Chegaram pelas redes.

Vídeos curtos, linguagem direta, confrontos, provocações, humor, posições contundentes e contato permanente com milhões de seguidores formam uma maneira diferente de fazer política.

É uma mudança de método.

O político tradicional precisava de partido, alianças, prefeitos, vereadores e anos de construção de uma estrutura eleitoral.

O novo político pode começar com um celular.

E isso muda também a relação com o eleitor.

A política deixa de acontecer apenas no palanque, no diretório ou no gabinete. Passa a acontecer diariamente na tela do telefone.

Mas existe uma pergunta que a eleição ainda não respondeu.

Seguidores conseguem substituir estrutura política?

E existe outra, dirigida aos antigos caciques: quantos deles conseguirão sobreviver politicamente sem aprender a falar a língua das redes?

O fenômeno não pertence exclusivamente à direita. Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Tabata Amaral e outros nomes também construíram forte presença digital e foram eleitos ou reeleitos em São Paulo.

Portanto, talvez não seja simplesmente uma disputa entre esquerda e direita.

É uma disputa entre duas maneiras de fazer política.

Uma nasceu nos partidos, nos diretórios e nas alianças.

A outra nasceu no celular.

A eleição de 2026 não decretou o fim dos políticos tradicionais.

Mas mostrou que sobrenome, história e décadas de carreira já não são garantia de mandato.

Agora, os velhos caciques terão de conviver com uma geração que não pede licença para entrar na política. E que já chegou falando diretamente com o eleitor.