O Aeroporto Regional de Maringá – Silvio Name Júnior vive uma fase de expansão que começa a mudar seu papel na economia do Noroeste do Paraná. O terminal deixou de ser apenas uma porta de entrada e saída de passageiros e passou a ser tratado como uma infraestrutura estratégica para negócios, turismo, indústria, comércio e logística.
Em 2025, o aeroporto ultrapassou a marca de 800 mil passageiros, entre embarques e desembarques. No primeiro trimestre de 2026, foram 206.918 passageiros, alta de 8,95% em relação ao mesmo período de 2025, então recorde histórico.
O crescimento ocorre justamente quando o aeroporto recebe um dos maiores ciclos de investimentos de sua história. O Governo Federal anunciou R$ 129 milhões para modernização do terminal, incluindo ampliação do prédio, melhorias nas áreas de embarque e desembarque, novas esteiras de bagagem, reforma da torre de controle e equipamentos de auxílio à navegação.
Mas é no setor de cargas que está uma das principais perspectivas para os próximos anos.
Depois de um longo período sem operações internacionais, o aeroporto foi novamente habilitado para cargas do exterior. Em 2026, a Gollog iniciou operações regulares por meio do sistema de Declaração de Trânsito Aduaneiro, permitindo que cargas desembarcadas em Guarulhos sejam transportadas por avião até Maringá para os procedimentos aduaneiros.
Em julho, a Latam Cargo também iniciou operações internacionais. Uma das primeiras remessas transportadas pela companhia trouxe mais de uma tonelada de produtos eletrônicos de Miami, via Guarulhos, até o Terminal de Cargas de Maringá.
A mudança pode representar um ganho importante para empresas de Maringá e de toda a região. Produtos de maior valor agregado, componentes industriais, equipamentos eletrônicos, peças, medicamentos e outros itens que dependem de rapidez podem ganhar uma alternativa logística mais próxima.
A expectativa de médio e longo prazo é que o Terminal de Cargas ganhe escala e possa atrair novas companhias, operadores logísticos e empresas que utilizem Maringá como ponto de distribuição.
O aeroporto também já possui estrutura para receber operações mais robustas. A ampliação realizada nos últimos anos aumentou sua capacidade operacional, com pista de 2.380 metros, considerada uma das maiores do Paraná, além de condições para operações de aeronaves cargueiras.
O avanço, entretanto, ainda depende da consolidação da operação internacional. Em agosto de 2026, a Câmara Municipal aprovou requerimento solicitando informações sobre o cronograma para o início da operação plena do Terminal Internacional de Cargas, além de possíveis pendências técnicas, administrativas, regulatórias ou jurídicas.
Na prática, Maringá começa a construir uma nova posição no mapa logístico brasileiro. A combinação entre crescimento de passageiros, modernização da infraestrutura, alfandegamento e expansão das cargas internacionais cria condições para que o aeroporto deixe de atender apenas a demanda regional e passe a funcionar como uma plataforma de negócios.
Para o setor produtivo, o impacto potencial vai além do aeroporto. Uma operação de cargas mais forte pode estimular transportadoras, empresas de comércio exterior, armazenagem, distribuição, serviços aduaneiros e novos investimentos industriais.
O desafio agora é transformar infraestrutura em volume. Se conseguir ampliar a frequência das operações internacionais, atrair novos operadores e consolidar o Terminal de Cargas, Maringá poderá fortalecer sua posição como um dos principais centros logísticos do interior do Paraná.
O aeroporto, portanto, entra em uma nova etapa: mais passageiros no presente, mais cargas no futuro e uma importância econômica que tende a ultrapassar os limites da própria cidade.
















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