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A paixão pelo álbum da Copa do Mundo segue viva em Maringá e promete ganhar ainda mais força com o lançamento oficial da edição 2026, previsto para o dia 1º de maio nas bancas de todo o país. Na cidade, um grupo de troca de figurinhas já mobiliza milhares de pessoas e se consolidou como uma das maiores comunidades do Brasil voltadas exclusivamente ao tema.
Criado com o objetivo de unir colecionadores e facilitar a missão de completar o álbum, o grupo MGA Figurinhas soma atualmente mais de 8 mil integrantes nas redes sociais e prepara ações para a chegada da nova coleção.
Segundo Davi Jobim Santos, proprietário e administrador da comunidade, a proposta vai muito além das páginas preenchidas.
“A ideia de criar esse grupo surgiu porque percebemos que, em Maringá, as pessoas têm um senso de comunidade e de família muito forte. E sabemos que a Copa do Mundo é um dos poucos momentos capazes de unir tanta gente diferente: pessoas mais velhas, jovens, pais e filhos”, afirmou.
Ele destaca que, durante a Copa, diferenças ficam de lado e prevalece o sentimento coletivo.
“Nesse período, não existe política ou qualquer outra divisão. É um momento em que todos se unem em torno de um sentimento nacional. Enquanto torcem pela Seleção Brasileira e buscam completar seus álbuns, as pessoas fortalecem esse espírito de união”, completou.
Movimento que cresce a cada Copa
Davi explica que o projeto começou em edições anteriores e vem se fortalecendo a cada Mundial. Segundo ele, a comunidade participou ativamente das Copas de 2018 e 2022, e agora se prepara para a terceira edição consecutiva, em 2026.
“Antes organizávamos esse movimento enquanto morávamos em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Depois nos mudamos para Maringá, onde estamos há quase três anos.”
As trocas organizadas pelo grupo acontecem apenas em anos de Copa do Mundo. Agora, a expectativa é transformar Maringá em referência nacional no segmento.
“Estamos nesse movimento para criar a maior comunidade de troca de figurinhas aqui em Maringá. Isso vai acontecer pela primeira vez.”
Apesar de recente, o grupo já gerou amizades entre os integrantes e forte engajamento.
“As pessoas participam, se respeitam e acabam trocando figurinhas entre si. Também já surgiram amizades por causa do grupo. Tem todo tipo de perfil: crianças, adultos, pais, mães, tios e avós.”
Ponto de encontro já tem data
Para marcar o início da nova coleção, os organizadores já articulam um encontro presencial no dia 1º de maio, no Shopping Avenida Center, em Maringá.
A expectativa é grande entre os participantes, principalmente pela dimensão inédita da próxima Copa do Mundo, que contará com 48 seleções e será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Este será o maior torneio da história, representando uma expansão em relação às 32 equipes que participaram das edições anteriores.
“A expectativa para esse ano é muito alta. São 48 seleções pela primeira vez. Vai ser a maior Copa já feita, então acredito que o álbum vai ser muito bacana e também difícil de completar”, disse Davi.
Coleção maior e mais cara
A Panini Brasil iniciou no mês de abril a pré-venda do álbum oficial da Copa 2026. Por isso, o pacote custará R$ 7 e virá com sete figurinhas. Já o álbum terá versões entre R$ 24,90 e R$ 79,90, além de edição premium de R$ 359,90. Além disso, a nova coleção terá 980 figurinhas e 112 páginas, sendo a maior já lançada pela editora. Em 2022, por comparação, eram 670 cromos.
Na prática, completar o álbum exigirá investimento maior dos torcedores. Mesmo com trocas e sem repetidas, o custo pode ultrapassar R$ 1 mil. Diante desse cenário, o colecionador Fernando Bayer começou no hobby em 2022 por incentivo da filha. Atualmente, para ele, essa tradição se tornou uma forma de criar lembranças em família.
“Comecei em 2022, a pedido da minha filha, que tinha oito anos na época. Muitos amigos da escola estavam colecionando e ela insistiu bastante até me convencer a comprar para ela.”
Hoje ele guarda o álbum completo da última Copa e algumas figurinhas excedentes.
“Aumentou bastante a quantidade de figurinhas e, como esperado no Brasil, os valores subiram consideravelmente. Isso pode acarretar na desistência de muitas pessoas em ter seu álbum de 2026.”
Emoção que passa de geração em geração


Fernando conta que o principal atrativo não é apenas a coleção em si, mas o momento vivido em família.
“A emoção de ver os filhos contentes com a conquista de completar um álbum. É uma diversão a cada envelope aberto.”
Ele garante que seguirá participando das trocas neste ano. “Sim, com toda certeza estaremos participando das trocas até completar ao máximo o álbum”, complementa.
Já o criador do grupo MGA Figurinhas Davi Jobim, acredita que o sucesso contínuo das figurinhas, mesmo em tempos digitais, acontece por causa da memória afetiva e da cultura brasileira.
“O álbum da Copa ainda mexe com adultos como antigamente porque está ligado com a memória da pessoa”, afirma.
Segundo ele, a tradição carrega um valor que nenhuma tecnologia substitui.
“Por mais que venha o digital, existem coisas que não há sentimento que pague. Eu não me sentiria feliz completando um álbum online. Tem coisas que estão impregnadas na cultura do brasileiro, e o álbum é com certeza uma delas”, diz.
Neymar, Vinicius Júnior e as figurinhas disputadas
Entre os assuntos mais comentados entre colecionadores está a ausência de Neymar em parte da divulgação inicial do álbum. Para Davi, o camisa 10 ainda representa o Brasil no cenário mundial.
“Achei ruim a ausência do Neymar. Hoje o Brasil não tem um nome com protagonismo tão claro. Ele ainda é uma figura respeitada internacionalmente”, ressalta.
Na opinião dele, uma das figurinhas mais disputadas desta edição deve ser a de Vinicius Júnior. “Acho que vai ser a do Vinicius Junior, que está muito valorizado”, diz.
Memória afetiva de 2006
Davi também lembra que sua Copa mais marcante foi a de 2006, quando completou o primeiro álbum.
“Foi a primeira vez que completei um álbum e acompanhava os jogadores que apareciam nas figurinhas, principalmente os do Brasil. Eu comparava atletas de outras seleções e aquilo ficou muito marcado.”
Ao resumir o sentimento de colecionar, ele define:
“A troca de figurinhas representa a emoção de completar, a emoção de viver e a emoção de torcer.”


















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