Mais de uma semana depois de Cristiano Ronaldo abandonar a concentração da seleção portuguesa, o jornal O Jogo revelou, nesta terça-feira (6), a sequência de acontecimentos que levou à ruptura entre o craque de 41 anos e o técnico Jorge Jesus.
O ponto decisivo aconteceu quando Cristiano ouviu o treinador confirmar publicamente que Gonçalo Ramos seria titular contra a Dinamarca. Segundo a publicação, CR7 perdeu a paciência ao saber da decisão, levantou-se e disparou: “Não faço aqui nada, vou embora”.
A frase, porém, foi o desfecho de um desgaste que havia começado dias antes.
Cristiano ficou 37 minutos aquecendo e não entrou
Tudo começou em 27 de setembro, quando Jorge Jesus escolheu Gonçalo Ramos para começar como titular na vitória de Portugal por 2 a 1 sobre a Noruega, no Ullevaal Stadion. O atacante marcou um dos gols portugueses.
Cristiano Ronaldo ficou no banco de reservas, mas, segundo O Jogo, o que mais incomodou o capitão não foi simplesmente ter começado a partida entre os reservas.
O atacante foi colocado para se aquecer e permaneceu fazendo exercícios durante 37 minutos, mas acabou não entrando em campo.
Cristiano não gostou da atitude do treinador e deixou clara sua insatisfação em uma série de reuniões que também envolveram Simão Coutinho, diretor esportivo do Al Nassr.
De acordo com o jornal, Jorge Jesus admitiu que errou ao prolongar o aquecimento do jogador, mas não chegou a pedir desculpas.
Pedro Proença tentou aproximar Cristiano e Jesus
Com as notícias sobre o mal-estar entre os dois, Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), viajou para Copenhague na tentativa de mediar um novo diálogo entre Cristiano e Jorge Jesus.
Os esforços, no entanto, não foram suficientes para mudar o cenário.
Na quarta-feira seguinte, Cristiano acompanhou com atenção a entrevista coletiva de Jorge Jesus antes do confronto contra a Dinamarca, pela terceira rodada da fase de grupos da Liga das Nações.
Questionado sobre quem seria titular em Copenhague, o treinador de 72 anos respondeu:
“Hoje vou treinar. Se tudo acontecer normalmente, é o Gonçalo Ramos que vai jogar.”
Segundo O Jogo, eram justamente as palavras que Cristiano não queria ouvir.
“Não faço aqui nada, vou embora”
Ao ouvir Jorge Jesus confirmar que Gonçalo Ramos continuaria como titular, Cristiano teria perdido a paciência.
O atacante se levantou e afirmou:
“Não faço aqui nada, vou embora.”
E foi embora.
Poucas horas depois, o jogador revelado pelo Sporting deixou a concentração da seleção portuguesa e embarcou em seu avião particular com destino a Madri, na Espanha.
De lá, Cristiano seguiu para Riad, na Arábia Saudita. Na segunda-feira (5), o atacante já havia retomado os treinamentos no Al Nassr, sob o comando do técnico australiano Ange Postecoglou.
Jorge Jesus: “Há princípios como treinador que são inegociáveis”
Apesar da saída de Cristiano, Jorge Jesus deixou aberta a possibilidade de o atacante voltar à seleção portuguesa.
No domingo, depois da vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, no Estádio do Dragão, resultado que garantiu Portugal nas quartas de final da Liga das Nações, o treinador afirmou que não existe qualquer “caso” entre os dois.
“Há princípios como treinador que são inegociáveis, mas, como não houve nada de especial em termos do que é a minha autoridade, para mim, o Cris na próxima convocatória será, caso esteja a jogar no Al Nassr, um jogador convocável, se ele quiser regressar à seleção”, afirmou Jorge Jesus.
Pedro Proença: Cristiano “fará sempre parte deste grupo”
Pedro Proença também se pronunciou sobre a situação e deixou as portas da seleção abertas para o atacante.
“Cristiano Ronaldo representa o maior símbolo de portugalidade, e temos de prestar a vénia a Cristiano Ronaldo. Ele está na seleção nacional por mérito desportivo próprio, e fará sempre parte deste grupo de trabalho, sempre que estiver tecnicamente capaz”, declarou o presidente da FPF.
Apesar das manifestações públicas de Jorge Jesus e Pedro Proença, uma reconciliação não estaria sendo preparada nos bastidores.
Segundo O Jogo, não está prevista qualquer reunião entre as três partes. Cristiano teria deixado claro desde o primeiro momento que considera sua decisão irreversível.
Assim, pelo menos por enquanto, o maior artilheiro da história da seleção portuguesa mantém fechada a porta para um retorno à equipe nacional.
















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