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Bolsa dispara, dólar cai e mercado reage ao resultado da eleição

Bolsa dispara, dólar cai e mercado reage ao resultado da eleição

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O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte alta ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após a votação, o Ibovespa disparou 7,70% e terminou o dia aos 206.911 pontos, novo recorde histórico.

Durante o pregão, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a subir 9,10%, aos 209.605 pontos. Foi a maior alta diária do Ibovespa desde março de 2020.

No câmbio, o movimento foi na direção oposta. O dólar comercial caiu 4,12% e encerrou o dia cotado a R$ 5,0018. Durante o pregão, chegou a ficar abaixo de R$ 5.

O resultado eleitoral foi o principal fator apontado para a movimentação. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva e os dois disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A diferença entre os dois candidatos surpreendeu parte dos investidores. Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

O mercado interpretou o resultado como possibilidade maior de mudança na política econômica e de uma agenda considerada mais favorável ao controle das despesas públicas, além de uma composição do Congresso vista como potencialmente mais favorável a medidas econômicas.

Bancos e varejo lideram reação

A alta não ficou concentrada apenas nas maiores empresas da Bolsa.

Ações de bancos, varejistas, construtoras e empresas ligadas ao consumo tiveram forte valorização. Magazine Luiza e BTG Pactual, por exemplo, estiveram entre os papéis que mais avançaram durante o pregão.

O movimento ocorre porque setores ligados ao crédito, consumo e mercado interno tendem a se beneficiar quando os investidores passam a trabalhar com a possibilidade de juros menores no futuro.

As taxas dos contratos de juros futuros também caíram de maneira expressiva nesta segunda-feira. Em alguns contratos de prazo mais longo, a queda superou 1 ponto percentual.

Isso é importante porque mostra que a reação não ocorreu somente na Bolsa. O mercado também passou a exigir um prêmio menor para investir em ativos brasileiros.

Mas os problemas econômicos continuam

A forte alta da Bolsa não significa que os problemas econômicos do país tenham desaparecido.

O próprio Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostra isso.

Os economistas consultados pelo Banco Central elevaram pela terceira semana consecutiva a previsão de inflação para 2026. A estimativa passou de 4,99% para 5,01%.

A projeção continua acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.

Para o PIB, a previsão de crescimento em 2026 caiu de 1,86% para 1,85%.

A expectativa para a Selic no final do ano permaneceu em 13,50%. Para 2027, o mercado continua projetando juros de 12%.

A previsão do Focus para o dólar no fim de 2026 também permaneceu em R$ 5,20.

Ou seja: enquanto o mercado de ações e o câmbio reagiram imediatamente ao resultado eleitoral, os indicadores econômicos continuam mostrando inflação elevada, juros altos e crescimento moderado.

O que esperar nos próximos dias

A tendência é de uma semana de forte volatilidade.

O primeiro movimento já aconteceu. A Bolsa subiu 7,70% em apenas um pregão e o dólar caiu mais de 4%. Por isso, não seria correto imaginar que esses movimentos necessariamente continuarão na mesma intensidade nos próximos dias.

Pode ocorrer realização de lucros, quando investidores que compraram ações antes ou durante a alta aproveitam a valorização para vender parte das posições.

Ao mesmo tempo, novas pesquisas eleitorais poderão provocar novas altas ou quedas.

O mercado deverá acompanhar principalmente três pontos.

O primeiro será a evolução da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O segundo será o discurso econômico dos dois candidatos, principalmente em relação a gastos públicos, dívida, impostos, estatais, privatizações e controle das contas do governo.

O terceiro será a capacidade do próximo presidente de formar maioria no Congresso para aprovar medidas econômicas.

Dólar pode continuar pressionado

O comportamento do dólar será um dos principais termômetros durante a semana.

A moeda terminou esta segunda-feira praticamente na marca de R$ 5. A queda foi muito superior àquela prevista por alguns gestores antes da abertura do mercado.

Uma parte dos analistas passou a trabalhar com possibilidade de o real continuar se valorizando caso o cenário eleitoral permaneça favorável à percepção de menor risco fiscal.

Mas existe uma diferença importante entre a cotação do mercado e a projeção oficial do Focus.

Enquanto o dólar terminou esta segunda-feira em R$ 5,00, a mediana dos economistas consultados pelo Banco Central continua apontando R$ 5,20 para o final de 2026.

Isso mostra que o mercado ainda não incorporou integralmente ao cenário econômico uma eventual mudança de governo.

Bolsa pode subir mais?

Pode, mas não há garantia.

O resultado eleitoral abriu espaço para uma revisão das expectativas dos investidores. Instituições financeiras internacionais passaram a recomendar maior exposição às ações brasileiras depois do primeiro turno.

O J.P. Morgan, por exemplo, elevou sua avaliação sobre as ações brasileiras após o resultado eleitoral. A instituição considera que uma eventual melhora do ambiente político e fiscal poderia favorecer os ativos brasileiros.

O problema é que a Bolsa já incorporou parte dessa expectativa nesta segunda-feira.

Uma alta de 7,70% em um único dia é extraordinária. Portanto, novos ganhos dependerão de novos fatos.

Se pesquisas e declarações dos candidatos reforçarem a percepção de mudança econômica, a Bolsa poderá continuar subindo.

Se ocorrer o contrário, parte da alta poderá ser devolvida rapidamente.

O que pode mexer com o mercado nesta semana

Bolsa: tendência ainda positiva, mas com possibilidade de realização de lucros depois da forte alta de hoje.

Dólar: pode continuar abaixo de R$ 5 se permanecer o fluxo de recursos para ativos brasileiros e o cenário eleitoral continuar favorável ao real.

Juros: novas quedas dependem principalmente da percepção de melhora das contas públicas e da inflação.

Bancos: podem continuar entre os setores mais beneficiados por expectativas de juros menores e melhora do ambiente econômico.

Varejo e construção: também podem reagir positivamente caso o mercado passe a projetar crédito mais barato e maior consumo.

Petrobras: o comportamento dependerá também das expectativas para petróleo, câmbio e política para a estatal.

O cenário para a semana

A leitura mais provável é de mercado positivo, mas muito mais volátil.

A grande reação ocorreu nesta segunda-feira porque o resultado do primeiro turno foi diferente do que parte do mercado esperava antes da votação.

Agora, os investidores terão de avaliar se essa nova percepção se sustenta.

O ponto central é que a eleição mudou as expectativas, mas ainda não mudou os fundamentos da economia.

A inflação continua projetada acima do teto da meta, a Selic permanece em nível elevado e o crescimento econômico previsto para 2026 é de apenas 1,85%.

Por isso, a próxima etapa será menos sobre o resultado já conhecido e mais sobre o que os candidatos vão apresentar para convencer o eleitor e, principalmente, o mercado sobre o futuro das contas públicas e da economia brasileira.