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Bolsa e dólar sobem com guerra no Oriente Médio e reunião do Copom no radar

Dólar fecha em queda e chega a R$ 4,89; Bolsa cai mais de 1%

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Bolsa avança nesta terça-feira (4), com as negociações envolvendo a guerra no Oriente Médio aumentando o apetite dos investidores.

A decisão de política monetária do Copom (Comitê de Política Monetária, do BC (Banco Central), marcada para esta quarta-feira (5), também se mantém no radar dos analistas.

Por volta das 11h40, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,43%, em linha com as Bolsas do exterior. Nos EUA, por exemplo, os índices S&P500, Dow Jones e Nasdaq tinham altas de até 1,58%.

No mesmo horário, o dólar também avançava. A moeda norte-americana subia 0,37%, a R$ 5,106.

Na segunda-feira (3), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as negociações entre Washington e Teerã “estão ocorrendo”. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou algo parecido.

“Estamos em negociações com os iranianos e acredito que há chances de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar rumo a uma posição mais normalizada neste conflito”, disse Bessent, em entrevista à CNBC nesta terça-feira (4).

Questionado se um acordo permitiria ao Irã cobrar pedágio dos navios, o secretário respondeu: “Acredito que haveria liberdade de circulação”.

As declarações contrariam a versão de Teerã, que, na segunda-feira, negou haver negociações em andamento com Washington.

Durante o fim de semana, segundo Trump, os EUA já haviam suspendido novos ataques ao Irã em busca de um acordo para interromper as ambições nucleares de Teerã e reabrir o estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.

Para o republicano, esta é “a última chance” do Irã assinar um acordo para pôr fim ao conflito. O presidente americano acusa as lideranças do país de agirem de forma contraditória ao pedirem reuniões para, em seguida, negarem diálogo com os americanos.

O país persa vem rejeitando publicamente qualquer conversa com Washington desde que um memorando de entendimento firmado em junho, destinado a encerrar o conflito, fracassou, com a retomada das ofensivas no mês passado.

Apesar do conflito de versões, a perspectiva de um possível acordo anima os investidores. Nesta terça, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, recua 4,8% no contrato de outubro, a US$ 79,71.

“O movimento é impulsionado principalmente pelo fluxo de notícias indicando uma redução das tensões no Oriente Médio. Com isso, a gente acaba vendo uma volta do apetite por risco, o que sustenta esse rali das Bolsas globais”, diz Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue.

Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, destaca que a queda no petróleo também pressiona o desempenho do real.

“Como o Brasil é um exportador líquido de petróleo, essa queda acaba prejudicando a receita comercial do país. Em outras palavras, significa uma entrada menor de dólares via exportações, o que pressiona a taxa de câmbio e reduz a oferta de dólares no mercado doméstico”.

Na agenda doméstica, o destaque fica para a reunião do Copom, que definirá a taxa básica de juros brasileira, a Selic. O encontro do colegiado começa nesta terça e termina na quarta-feira.

Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano. Analistas consultados pela Bloomberg projetam uma redução para 14% nesta quarta-feira.

Mais cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a produção industrial caiu 1,8% em junho ante maio, mais que a retração de 0,8% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. O resultado é o mais recente sugerindo desaceleração da atividade econômica no Brasil.

“É um resultado negativo, que reflete a política monetária contracionista do Copom. Esse dado mais fraco acaba corroborando a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

O dado reforça uma tendência observada em outros indicadores da atividade e da inflação. No final de julho, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de julho mostrou uma desaceleração na alta de preços do Brasil. A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou a 0,06%, ante mediana de 0,22% dos economistas consultados pela Bloomberg.

No boletim Focus da última segunda, os economistas reduziram a projeção para a taxa básica de juros ao fim deste ano. Agora, a expectativa é de que a Selic encerre 2026 em 13,75%, uma queda de 0,25 ponto percentual em relação ao levantamento da semana passada.

Caso o corte na Selic se confirme, cairá a atratividade da estratégia “carry trade” -em que investidores captam recursos em economias com taxas baixas, como a americana ou a japonesa, para aplicá-los em mercados com juros mais alto, caso do Brasil, se beneficiando dessa diferença.

“Juros menores reduzem a atratividade relativa dos ativos brasileiros para o investidor estrangeiro, o que também contribui para o enfraquecimento do real”, diz Leonel Oliveira Mattos, da StoneX.

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