O Brasil tornou-se um dos primeiros países do mundo a obrigar empresas de capital aberto a divulgarem seus riscos climáticos e informações de sustentabilidade. A determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio da Resolução CVM 193, vinha funcionando em caráter voluntário e passa a ser obrigatória.
A mudança regulatória foi o tema central do painel “ESG sem discurso: o que realmente impacta o negócio”, realizado pelo IBEF-PR em Curitiba. A nova norma adota os padrões globais IFRS S1 e IFRS S2. Na prática, dados como emissões de carbono, planos de transição ecológica e governança ambiental passam a exigir o mesmo rigor e rastreabilidade dos balanços contábeis tradicionais, incluindo a obrigatoriedade de auditoria externa independente.
“O ESG deixou de ser apenas uma agenda reputacional. Hoje ele impacta crédito, investimento, competitividade e gestão de riscos”, explicou João Alves da Rocha Loures, coordenador do Comitê de ESG do IBEF-PR.
Embora a lei mire as grandes corporações, especialistas alertam para um efeito cascata imediato sobre pequenas e médias empresas (PMEs). Para cumprirem suas próprias metas e relatórios, as gigantes de capital aberto passaram a exigir indicadores ambientais e rastreabilidade de seus fornecedores, gerando forte pressão nos setores industrial, financeiro e do agronegócio.
Durante o encontro, Cris Baluta, CEO da Roadimex, e Giuliano Marchiani, CEO da OASYS, apontaram que a sustentabilidade virou uma variável econômica concreta. Companhias que não comprovarem eficiência operacional e métricas auditáveis devem enfrentar barreiras severas para acessar linhas de financiamento, atrair investidores e fechar novos contratos comerciais.
















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