Maringá — A discussão sobre a restrição ao uso de smartphones em ambientes escolares ganhou força em debates legislativos e políticas públicas recentes em todo o país. Em Maringá, no entanto, os impactos práticos dessa medida já são monitorados há 17 anos no Colégio Platão. A decisão de banir o porte e o uso de celulares por estudantes dentro do espaço escolar foi implementada de maneira pioneira em 2009.
O histórico dessa transição é detalhado pelo professor Antonio Leonel, o Toninho, diretor-geral do Colégio Platão. De acordo com o educador, a iniciativa foi adotada em um período em que os aparelhos começavam a se popularizar entre os adolescentes, transformando o comportamento dos estudantes nos momentos destinados ao descanso e à socialização.
O principal argumento para a implementação da regra foi a preservação da convivência social dos alunos. O diretor relata que o ambiente de intervalo das aulas estava se descaracterizando de forma rápida, com os pátios preenchidos por jovens isolados.
“A questão não era proibir a comunicação, a questão era fazer com que o aluno, enquanto estivesse na escola, pudesse interagir com outras pessoas, com os colegas. Durante o intervalo, o ambiente virava um call center e a gente não queria isso. A gente queria a conversa, até a paquerinha, o lanche”, explica Leonel.
A norma gerou resistências iniciais na comunidade escolar. A instituição chegou a perder matrículas de famílias que discordavam do bloqueio total e exigiam o contato com os filhos ao longo do período letivo. Para equalizar as necessidades dos pais, a escola estruturou uma alternativa: os estudantes que precisam falar com os pais se dirigem à coordenação — no Grupo de Apoio Pedagógico-Educacional (GAP) — e realizam a ligação.
Quase duas décadas após a proibição, o diretor avalia que a medida se consolidou como parte da cultura da instituição e se provou indispensável para mitigar a dispersão provocada pelas notificações constantes. Para ele, o dispositivo móvel atua como um concorrente desleal no processo de retenção de conhecimento e no desenvolvimento do foco.
“O instrumento digital realmente é um adversário. Por isso que, quando a escola faz uma proposição, inclusive sobre a leitura, é preciso ter outros controles e outras ferramentas para fazê-los ler”, aponta o educador.
A experiência local demonstra que a padronização da regra para todas as turmas — do Ensino Fundamental ao Terceirão — neutraliza o sentimento de exclusão entre os jovens. Ao entrarem no ambiente escolar cientes de que a restrição se aplica a todos, os estudantes se mostram mais receptivos ao diálogo e à interação presencial.
A discussão detalhada sobre o impacto das telas no ambiente escolar, a proibição de celulares e os desafios da convivência na juventude está disponível no podcast Ponto a Ponto. O episódio completo está no canal do YouTube do Maringá Post.
















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