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Celulares registrados em nome de mortos foram usados por policiais em corrupção no RJ, diz PF

Celulares registrados em nome de mortos foram usados por policiais em corrupção no RJ, diz PF

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Durante as investigações que resultaram na Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15) com alvo na refinaria Refit, a Polícia Federal identificou indícios de uso, por policiais federais, de linhas telefônicas registradas em nome de pessoas mortas.

O caso é relatado na decisão do Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou busca e apreensão contra Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro, e a prisão de Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, que mora nos EUA.

Em nota, a defesa de Castro diz que foi surpreendida com a operação e que o ex-governador “está à disposição da Justiça para dar todas as explicações, convicto de sua lisura”.

A Refit e Magro, também em nota, negam ter falsificado declarações fiscais para ter vantagens fiscais ou ter fornecido combustível para o crime organizado.

Segundo a PF, um dos números monitorados na investigação estava registrado em nome de uma pessoa que morreu em 2021. Apesar disso, a linha seguia ativa, sendo usada em mensagens, ligações e conexões de WhatsApp.

A decisão cita que o telefone era utilizado em contatos frequentes com um auditor fiscal apontado pelos investigadores como integrante de um esquema de favorecimento a empresas do setor de combustíveis dentro da Secretaria de Fazenda do Rio.

Em outro trecho da decisão, a PF relata ter identificado mais uma linha vinculada a uma pessoa que morreu em outubro daquele mesmo ano.

Para os investigadores, o uso reiterado indica estratégia deliberada de ocultação de identidade.

A investigação aponta ainda que o aparelho associado a uma das linhas clandestinas acessou o WhatsApp usando um IP vinculado à rede interna da própria Polícia Federal. Após cruzamento de dados, a PF concluiu que o login utilizado naquele acesso estava associado a um escrivão de delegacia da corporação em Nova Iguaçu (RJ).

Segundo a decisão, outro escrivão também aparece ligado ao telefone investigado. A PF sustenta haver elementos para apontar “participação de servidor federal na estrutura da organização criminosa investigada”.

A apuração faz parte de um inquérito mais amplo que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e corrupção envolvendo a Refit e agentes públicos do Rio de Janeiro.

Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

De acordo com a decisão de Moraes, investigadores identificaram indícios de atuação coordenada entre empresários do setor de combustíveis e integrantes da máquina pública fluminense para favorecer empresas do grupo investigado e dificultar ações regulatórias e fiscais.

A PF afirma que o esquema teria alcançado áreas da Secretaria de Fazenda, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e até integrantes das forças de segurança.

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