SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O coronel Marcelo de Castro Corbage, que comandou o Bope na Operação Contenção, ação policial que deixou 122 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, foi exonerado do cargo no Rio de Janeiro.
Corbage foi retirado do comando do Bope, tropa de elite da PM do Rio. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (24) e tem validade desde 18 de junho.
O ato não informa o motivo da exoneração. A publicação diz apenas que o coronel foi exonerado do cargo em comissão de comandante do Bope, unidade vinculada ao Comando de Operações Especiais da Polícia Militar.
A PM não disse se a exoneração tem relação com a Operação Contenção. O UOL procurou a Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio e perguntou o motivo da saída de Corbage, quem assumirá o comando do Bope e se o coronel foi designado para outra função. Não houve retorno até a publicação. O espaço segue aberto.
A Operação Contenção foi realizada em 28 de outubro de 2025. A ação mobilizou policiais civis e militares nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, contra o Comando Vermelho.
A megaoperação deixou 122 mortos, segundo o balanço divulgado pelo governo do Rio. Cinco dos mortos eram policiais. O governo afirmou que os outros 117 eram criminosos.
O governo disse que a ação tinha como objetivo prender lideranças do Comando Vermelho. Depois da operação, sete presos apontados como líderes da facção no Rio foram transferidos para presídios federais por determinação da Justiça.
O principal alvo da operação não foi preso. Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, apontado como líder do Comando Vermelho, conseguiu escapar. Segundo relatório do governo, ele tinha 273 anotações criminais e 32 mandados de prisão em aberto.
A operação também resultou em apreensões. Relatório do governo do Rio ao STF citou 122 armas, 15 veículos, 22 kg de cocaína e duas toneladas de maconha apreendidos.
Corbage prestou depoimento ao Ministério Público do Rio em novembro de 2025. Ele afirmou ao MPRJ que 77 dos 215 policiais do Bope que participaram da ação usaram câmeras corporais.
Menos da metade dos agentes do Bope e da Core usou câmera na operação. Segundo depoimentos ao MPRJ, 134 dos 343 policiais das duas unidades estavam com os equipamentos durante a ação.
O então comandante disse que a operação era prevista para durar até seis horas. Por isso, afirmou, não foi pensada a necessidade de baterias extras para as câmeras corporais.
O MPRJ apontou lesões consideradas atípicas em dois corpos. Relatório técnico citou lesões de disparo a curta distância em um dos mortos e ferimento por decapitação em outro caso.
Cinco PMs do Batalhão de Choque foram presos depois da megaoperação. A Corregedoria da Polícia Militar prendeu os agentes em novembro de 2025, sob suspeita de crimes cometidos durante a ação. As investigações tiveram como base a análise de imagens das câmeras corporais.
Corbage negou que o Bope tenha montado uma emboscada na mata. Em depoimento ao MPRJ, ele disse que não era verdade que policiais tivessem se posicionado previamente na Serra da Misericórdia para fazer uma “troia”, termo usado para emboscada ilegal em que agentes ficam escondidos para atacar suspeitos.
A declaração contrariou uma explicação dada pelo governador Cláudio Castro. Castro havia dito que a estratégia buscava encurralar criminosos em área de mata para reduzir o impacto sobre moradores.
Corbage apresentou outra versão sobre os confrontos na mata. Segundo ele, traficantes já estavam entrincheirados na Serra da Misericórdia e teriam se deslocado para preparar uma emboscada contra as forças de segurança.
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