SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em alta de 0,39% nesta terça-feira (7), cotado a R$ 5,152, com investidores atentos às tensões no Oriente Médio.
Os Estados Unidos revogaram a licença-geral que autorizava a venda de petróleo iraniano após ataques a petroleiros no Estreito de Hormuz. Não houve comentário imediato de Teerã, nem qualquer reivindicação de responsabilidade pelos navios atacados.
Os preços do petróleo subiram mais de 5% após o anúncio, com o Brent, referência internacional, cotado a US$ 75 no final da tarde. O cenário inspirou aversão ao risco e temores de retomada das tensões militares -o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã na segunda-feira.
A moeda, então, se fortaleceu globalmente. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, subiu 0,2%, a 101,05 pontos.
Preocupações sobre o setor global de tecnologia e discussões nos EUA sobre tarifas a produtos brasileiros também estiveram no radar, exercendo pressão sobre a Bolsa brasileira. O Ibovespa fechou em queda de 0,24%, a 172.020 pontos, com o avanço firme das petroleiras reduzindo maiores perdas.
A revogação da licença de comercialização foi confirmada por uma autoridade norte-americana, falando em condição de anonimato. Ela afirmou que as supostas ações do Irã em Hormuz eram inaceitáveis e teriam consequências.
Por outro lado, a autoridade reforçou que negociadores continuam trabalhando para chegar a um acordo final com o Irã, apesar da recente escalada de tensões.
A medida dos EUA foi tomada depois que três petroleiros relataram ter sido atingidos por projéteis desconhecidos no Estreito de Hormuz e proximidades nos últimos dias, informou a agência UKMTO, ligada à Marinha britânica, em um relatório. Teerã não se pronunciou, tampouco reivindicou autoria dos ataques.
Na segunda, Trump ainda afirmou que os Estados Unidos chegarão a um acordo com o Irã ou “terminarão o serviço”. A nova ameaça militar a Teerã acontece em meio aos cortejos fúnebres de Ali Khamenei, líder supremo morto no início do conflito no Oriente Médio.
“Ou vamos chegar a um acordo ou vamos terminar o serviço. E não será difícil terminar o serviço. Prefiro chegar a um acordo, porque não quero afetar 91 milhões de pessoas”, disse Trump a repórteres no Salão Oval.
“Podemos derrubar as pontes deles em uma hora, podemos cortar o abastecimento de energia deles… Eles não têm dinheiro agora. Não lhes demos nenhum dinheiro.”
As negociações entre os dois países terminaram na semana passada sem qualquer sinal público de avanço. O cessar-fogo de 60 dias, apesar disso, segue em vigor, abrindo espaço para a diplomacia após os ataques que desencadearam o conflito.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, chamou a ameaça de Trump de “delirante”.
“Os iranianos não estão acostumados com a linguagem das ameaças. Portanto, fale com o povo iraniano com respeito; caso contrário, responderemos em outra linguagem”, disse Zolqadr em declarações divulgadas pela mídia estatal.
Em meio às tensões, o preço do barril de petróleo Brent voltou a subir para US$ 75; o WTI (West Texas Intermediate), para US$ 71,90.
As ações das petroleiras na Bolsa brasileira acompanharam a commodity. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras avançaram 1,8% e 2,6%, enquanto Prio e Petrorecôncavo subiram 5% e 1,37%, respectivamente.
A aversão ao risco se intensificou com preocupações sobre o setor global de tecnologia. Investidores questionam o ímpeto da alta impulsionada pela inteligência artificial apesar dos resultados sólidos da Samsung, enquanto uma notícia de que a chinesa DeepSeek está desenvolvendo seu próprio chip de IA também afetou o sentimento geral em Wall Street.
A companhia sul-coreana divulgou que as receitas cresceram 70% em relação ao ano passado e que o lucro saltou 1.800% na mesma comparação. “Ainda assim, os investidores parecem preocupados com o volume de investimentos, possivelmente excessivo, nas tecnologias relacionadas à inteligência artificial”, diz Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Ele afirma que os investidores seguem otimistas com as possibilidades de as novas tecnologias gerarem ganhos de produtividade e impulsionarem o crescimento econômico mundial. “Mas esse crescimento foi tão explosivo, tão rápido e tão intenso que, em alguns momentos, surgem preocupações com a possibilidade de uma bolha”, diz ele.
O temor é que os investimentos nas tecnologias de inteligência artificial estejam crescendo a um ritmo maior do que a demanda. Se o mercado não conseguir absorver tudo que tem sido produzido, existe o risco de que os aportes não sejam rentáveis -em outras palavras, que as empresas enfrentem prejuízos por excesso de investimento.
Ainda, segundo três fontes com conhecimento do assunto, a startup chinesa DeepSeek está desenvolvendo seu próprio chip de IA, uma iniciativa que pode reduzir sua dependência dos produtos da Nvdia e da Huawei.
“De tempos em tempos, vemos os mercados financeiros globais e os investidores se mostrarem mais preocupados com a possibilidade de dificuldades futuras de rentabilidade. Esse pessimismo acaba pressionando as ações de tecnologia e piorando o apetite global por risco”, diz Mattos.
No Brasil, parte das atenções ainda esteve voltada às discussões nos EUA sobre a tarifação de produtos brasileiros. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em audiência em Washington para tratar do assunto, defendeu o Pix e argumentou contra o momento escolhido para a imposição das tarifas, segundo reportagem da Reuters.
Flávio busca persuadir o governo Trump a adiar a tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros para até depois das eleições de outubro. Em junho, pouco depois de Flávio ter se reunido com altos funcionários norte-americanos em Washington, o governo Trump propôs tarifas sobre o Brasil alegando violações comerciais e práticas desleais.
A sequência de eventos levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve concorrer à reeleição, a acusar o senador de ter ajudado a desencadear a medida -acusação que Flávio nega.
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