SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em alta de 0,11%, cotado a R$ 5,145, nesta sexta-feira (18), com investidores repercutindo a nova pesquisa Datafolha, que mostrou Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados tecnicamente no primeiro turno, com o petista marcando 39%, ante 36% do senador.
No segundo turno, os dois mantêm o empate técnico da rodada anterior: 46% para o presidente e 44% para o senador.A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Há uma semana, Lula marcava 39%, e o filho de seu antecessor, Jair Bolsonaro, 35%.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 0,41%, aos 185.229 pontos.
Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, afirma que o dólar devolve parte dos ganhos do real registrados na véspera. Segundo ele, a alta dos juros nos Estados Unidos e a redução da Selic tendem a favorecer moedas fortes ante o real, embora o diferencial de juros ainda sustente operações de carry trade. Na Bolsa, o especialista diz que o Ibovespa recua em uma sessão de maior volatilidade, influenciada pelo vencimento de opções.
Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, afirma que as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos tiveram impacto limitado sobre o câmbio por já estarem precificadas. Ela destaca que a solidez das contas externas e os preços elevados das commodities, como petróleo e minério de ferro, têm sustentado o real.
Além das eleições, os investidores mantiveram as contas públicas no radar após o anúncio de reajuste de 15,04% no Bolsa Família , feito na última quinta-feira (17) pelo presidente Lula, a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais.
Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, afirma que a questão fiscal voltou a disputar protagonismo com a inflação. O governo anunciou o aumento de 15,04%, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691, com impacto estimado em R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027.
O Ministério da Fazenda afirma que a despesa será acomodada no orçamento e não altera a meta fiscal. Olívia adiciona que os investidores observam não apenas o volume de despesas, mas também como serão financiadas.
No fechamento desta semana, o mercado acompanhou ainda a cotação do petróleo Brent. Às 17h10, o barril era negociado a US$ 102, com queda de 1,75%.
A baixa ocorre em meio à redução dos ataques entre os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, e as forças militares da Arábia Saudita, além de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o fim do conflito com o Irã está próximo.
Na última quinta, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que o país permitirá a participação da delegação iraniana na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na semana que vem.
Por outro lado, uma missão de investigação da ONU sobre o Irã afirmou também na véspera ter motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos estão por trás de dois ataques militares contra uma escola em Minab, no sul do Irã, e uma instalação esportiva no país, em fevereiro. Segundo a missão, os atos constituíram crimes de guerra.
A missão também concluiu que autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão mortal aos protestos contra o regime.
Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, afirma que a combinação entre a queda do petróleo e o recuo dos rendimentos dos Treasuries americanos nos últimos dias tem contribuído para melhorar o ânimo do mercado acionário. O movimento ocorreu após o rendimento do título de dez anos atingir 5,017%, o maior nível desde outubro de 2023.
Nesta sexta-feira, porém, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a subir. Às 17h11, o yield do Treasury de dez anos estava em 5,006%, com alta de 1,19%.
Em Wall Street, as Bolsas fecharam sem direção única. O S&P 500 teve alta de 0,05%, enquanto o Dow Jones recuou 0,18% e o Nasdaq teve alta de 0,39%.
Segundo Benati, outro fator que repercute nos mercados é a decisão de juros do Japão. O Banco do Japão elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1,25%, o maior nível desde 1995.
Ainda assim, o iene fechou o dia em queda. Às 17h13, a moeda japonesa recuava 0,24% em relação ao real. De acordo com o estrategista, o movimento reflete a expectativa frustrada de uma comunicação mais dura (hawkish) por parte do presidente do Banco do Japão. Na avaliação de Benati, a autoridade monetária deixou claro que as decisões das próximas reuniões seguem em aberto, sem aumentos previamente definidos.
Além disso, a decisão não foi unânime: dois integrantes do comitê preferiram manter os juros em 1%. Para Benati, a divergência torna mais complexa a possibilidade de novos aumentos nas próximas reuniões. Nesse cenário, voltou a ser mencionada a possibilidade de intervenções conjuntas do Japão e dos Estados Unidos para tentar sustentar o iene.
No Brasil, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam em leve baixa no longo prazo, apesar da alta nos rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano.
Às 16h50, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava pratiamente estável em 13,62%. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do contrato para janeiro de 2035 avançava 0,05 ponto percentual, para 14,145%.
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