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Dólar sobe e Bolsa recua à espera de decisão do Fed e com petróleo no radar

Dólar fecha em queda e chega a R$ 4,89; Bolsa cai mais de 1%

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar sobe nesta quarta-feira (29), com investidores à espera da decisão de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), que será divulgada durante à tarde.

O mercado também repercute novos ataques entre EUA e Irã no Oriente Médio. As ofensivas impulsionam os preços do petróleo e elevam a cautela dos investidores.

Por volta das 13h50, a moeda norte-americana avançava 0,14%, cotada a R$ 5,129. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, rondava a estabilidade, com alta de 0,08%.

No mesmo horário, a Bolsa caía 1,02%, a 174.757 pontos, pressionada pelo setor bancário brasileiro.

Segundo o FedWatch, do CME Group, o cenário mais provável para a decisão desta quarta é a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, com 64% de probabilidade. Outros 36% dos analistas apostam em uma alta de 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4%.

Para Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, os investidores estão em compasso de espera antes da decisão do banco central norte-americano. “O mercado vai acompanhar de perto o que Kevin Walsh, presidente do Fed, deve sinalizar e, principalmente, qual será o tom adotado em relação aos próximos passos da política monetária”, afirma.

Um tom mais duro pode reforçar a percepção de que uma alta dos juros está próxima, mesmo que ela não ocorra nesta reunião.

A manutenção dos juros nos EUA deve acontecer em meio à expectativa de uma redução da Selic na reunião do Banco Central brasileiro, marcada para a próxima semana.

Na última terça-feira (28), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica) divulgou que o IPCA-15 desacelerou para 0,06% em julho, após registrar alta de 0,41% em junho. No acumulado de 12 meses, o indicador foi a 4,52% até julho.

O resultado surpreendeu o mercado ao ficar bem abaixo da mediana das projeções de analistas consultados pela Bloomberg, de 0,22%.

O IPCA-15 é considerado uma prévia do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação. Calculado com base em uma coleta antecipada de preços, ele costuma sinalizar a tendência do índice cheio.

As métricas são acompanhadas pelo Banco Central. A autarquia persegue uma meta inflacionária de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo e para cima. Apesar da trégua, o IPCA-15 veio acima do teto de 4,5% da meta.

O próximo encontro do colegiado do Banco Central será nos dias 4 e 5 de agosto para definir o patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,25% ao ano.

Para o economista Rafael Rondinelli, da Mag Investimentos, o IPCA-15 não altera a visão de um cenário inflacionário que segue pressionado no país., mas “reforça a projeção de corte de juros pelo Copom na reunião da próxima semana”.

Caso se confirmem, o corte na Selic e a manutenção da taxa de juros dos EUA diminuem a atratividade da estratégia “carry trade” -estratégia em que investidores captam recursos em economias de taxas baixas, como a americana ou a japonesa, e aplicá-los aqui, para rentabilizar sobre essa diferença percentual.

O movimento tende a reduzir a atratividade dos ativos brasileiros, como a Bolsa e o real. “A lógica é a seguinte: com juros mais altos lá fora e uma redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, os ativos brasileiros tendem a ficar relativamente menos atrativos para investidores estrangeiros. Isso pode reduzir a entrada de capital no país”, afirma Ian Lopes, especialista da Valor Investimentos.

O mercado também repercute novas ofensivas entre EUA e Irã no Oriente Médio. Na noite de terça, múltiplos mísseis balísticos foram lançados contra forças americanas na região em uma “tentativa de ataque surpresa”, de acordo com o Comando Central das Forças Armadas Americanas (Centcom).

Nesta quarta, os Estados Unidos retaliaram. Os militares do país, em conjunto com Forças da Árabia Saudita, lançaram ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque. As Forças de Mobilização Popular do Iraque, apoiadas por Teerã, afirmaram que ao menos 20 de seus integrantes morreram e 32 ficaram feridos nos bombardeios.

A retomada de ataques impacta as cotações do petróleo. Por volta das 13h50, o contrato de setembro do barril Brent, referência mundial da commodity, avançava 7,38%, a US$ 90,30.

A tensão no conflito internacional também pressiona os ativos domésticos. A guerra interrompe a circulação no estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo. Com o transporte das commodities estrangulado, investidores têm temido um repique inflacionário global.

Por consequência, temem também a manutenção das taxas de juros de algumas das maiores economias do mundo em patamar restritivo, em especial a dos Estados Unidos.

Quando os juros de lá estão elevados, operadores costumam optar pela renda fixa americana, considerada um investimento praticamente livre de risco. Com a expectativa da continuação do conflito, ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, tendem a se desvalorizar.

Por aqui, o setor bancário era o principal destaque negativo do dia, com o Santander liderando as perdas. As ações da instituição financeira recuavam mais de 6% após a divulgação de uma queda no lucro do segundo trimestre.

O banco foi pressionado pela inadimplência dos clientes e registrou lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões, baixa de 17,6% em relação ao mesmo período de 2025. Analistas consultados pela Bloomberg projetavam ganho de R$ 3,723 bilhões.

Na contramão, a Petrobras era impulsionada pela alta do petróleo. As ações da estatal avançavam mais de 2%.

Nos Estados Unidos, as Bolsas também registravam quedas. O S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq recuavam 1,12%, 1,56% e 0,96%, respectivamente.

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