Um e-mail interno enviado aos funcionários da Fifa revelou o clima de tensão dentro da entidade após o fracasso do projeto Fifa Forward Enterprise, conhecido pela sigla FFE. A mensagem, assinada pelo secretário-geral Mattias Grafström, foi divulgada nesta terça-feira pela emissora britânica Sky News.
No texto, Grafström classifica os acontecimentos recentes como “reprováveis e tristes” e afirma que a proposta da FFE foi abandonada de forma definitiva. O projeto previa a criação de uma subsidiária aberta a investimentos privados para concentrar as operações comerciais das competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo.
“Todos fomos colocados no meio de uma confusão que é difícil de compreender e aceitar”, escreveu o secretário-geral.
Ele pediu aos funcionários que mantivessem o foco nas atividades da entidade e no atendimento às 211 federações nacionais filiadas.
“Enquanto secretário-geral, peço que permaneçam concentrados no que nos uniu: servir ao futebol e às nossas 211 associações-membro, em conjunto com todas as partes interessadas e em total conformidade com os estatutos e regulamentos da Fifa”, afirmou.
Grafström também procurou tranquilizar as equipes diante da crise política instalada na organização. Segundo ele, os funcionários serão protegidos das disputas que envolvem a cúpula da entidade.
“Garanto que, como integrantes da administração, vocês serão defendidos e preservados do contexto político que estamos vivendo neste momento. Não precisam se preocupar”, escreveu.
Na sequência, o secretário-geral afirmou que dirigentes e períodos de instabilidade são passageiros, enquanto a missão institucional da Fifa deve continuar.
“Indivíduos, momentos instáveis e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade com o futebol permanecem”, declarou.
Ao encerrar a mensagem, Grafström agradeceu aos funcionários pelo comprometimento, pela resiliência e pela dedicação. Ele também afirmou que continuará disponível para apoiar as equipes enquanto seu trabalho for reconhecido pelas pessoas e instituições atendidas pela Fifa.
A divulgação do e-mail aumenta a pressão sobre Gianni Infantino, presidente da entidade desde fevereiro de 2016. Grafström trabalha ao lado do dirigente desde que o ítalo-suíço sucedeu Sepp Blatter no comando da organização.
A proposta da FFE foi apresentada no fim da semana passada, mas enfrentou rejeição imediata da Uefa, da Concacaf e da Confederação Asiática de Futebol. Juntas, essas entidades representam mais da metade dos votos das 211 federações que integram a Fifa.
A resistência ao projeto também colocou em dúvida o apoio à permanência de Infantino na presidência. A eleição está marcada para 18 de março de 2027, e o prazo para a apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro.
Antes da crise, o dirigente já havia reunido mais de 200 cartas de apoio e trabalhava com a possibilidade de disputar a eleição sem adversários. A sucessão de controvérsias, porém, reduziu as chances de uma candidatura única.
As federações de País de Gales, Inglaterra, Suécia e Sérvia já anunciaram apoio à recondução de Infantino. Outras entidades também podem se posicionar nos próximos dias.
Segundo o jornal New York Post, o presidente da Fifa tentou entrar em contato com Donald Trump, por acreditar que a influência do presidente dos Estados Unidos poderia ajudar a recuperar votos entre as federações. As tentativas não teriam avançado.
Como alternativa, Infantino teria marcado uma reunião com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O encontro, no entanto, foi cancelado de forma repentina.
















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