Os números mais recentes da educação básica colocam Maringá e cidades da região diante de uma pergunta importante: o que está funcionando por aqui e poderia ser aproveitado por outras redes de ensino do país?
O Ideb 2025, divulgado pelo Inep em agosto, mostrou avanço da educação brasileira. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a média nacional das redes pública e privada passou de 6,0, em 2023, para 6,3. Na rede pública, subiu de 5,7 para 6,1.
Maringá foi além. A rede municipal alcançou 7,4, contra 7,2 em 2023. O resultado coloca a cidade entre os melhores desempenhos do Paraná e na liderança entre as cinco maiores cidades do Estado.
Mas o dado mais interessante não está apenas na nota.
O Ideb é formado por dois componentes: aprendizagem e aprovação. Em Maringá, a aprendizagem apresentou nota 7,57 e a taxa de aprovação nos anos iniciais chegou a 97,9%.
Isso ajuda a entender que uma boa educação não depende apenas de uma prova. É necessário fazer o aluno aprender e, ao mesmo tempo, evitar que ele fique para trás durante a trajetória escolar.
O exemplo de Sarandi
A poucos quilômetros de Maringá, Sarandi também apresentou uma evolução importante.
A rede municipal passou de 5,7 em 2023 para 6,3 em 2025, crescimento de 0,6 ponto. A cidade superou a média nacional das redes públicas.
Entre as estratégias relatadas pela rede estão avaliações para identificar dificuldades, acompanhamento pedagógico, reforço escolar, formação continuada dos professores e estímulo à leitura e à escrita.
São práticas que chamam atenção justamente porque não dependem de uma solução única ou de uma tecnologia milagrosa.
A lição que pode ser levada para outras cidades
O principal ensinamento de Maringá e região talvez seja justamente este: acompanhar o aluno antes que o problema apareça na prova.
Se uma criança apresenta dificuldade de leitura ou matemática, esperar o final do ano pode significar perder um tempo precioso. Avaliações periódicas permitem identificar o problema mais cedo e direcionar reforço e acompanhamento.
Outro ponto é a formação dos professores. A educação muda quando o profissional recebe instrumentos para trabalhar com diferentes níveis de aprendizagem dentro da mesma sala.
Também existe uma terceira questão: alfabetizar bem nos primeiros anos.
Uma criança que termina o ciclo inicial sem domínio adequado de leitura, interpretação e matemática carregará essa dificuldade para os anos seguintes.
Não é só uma questão de dinheiro
Os resultados também mostram que educação não pode ser analisada apenas pelo volume de recursos aplicados.
Dinheiro é importante para escolas, materiais, tecnologia, alimentação, transporte e valorização profissional. Mas o resultado depende também de como a rede organiza esses recursos.
O próprio Ideb não mede toda a qualidade de uma escola. Ele combina desempenho em Língua Portuguesa e Matemática com aprovação escolar. Portanto, não responde sozinho questões como infraestrutura, inclusão, saúde emocional, criatividade ou formação cidadã.
Por isso, o que Maringá e região podem oferecer ao debate nacional não é uma fórmula pronta.
É uma experiência para ser estudada: identificar rapidamente quem está aprendendo, descobrir quem está ficando para trás e agir antes que a dificuldade se transforme em abandono ou fracasso escolar.
Se outras cidades conseguirem adaptar essas práticas às suas próprias realidades, o ganho poderá ser muito maior do que uma boa posição em um ranking.
Poderá significar mais crianças aprendendo na idade certa.
















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