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Faixa de Gaza tem 82% das construções danificadas três anos após 7 de Outubro

Ataque atribuído a Israel mata palestinos em funeral e em mercado no centro de Gaza

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Há três anos, na manhã de 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas romperam a fronteira da Faixa de Gaza e invadiram comunidades e cidades do sul de Israel. O ataque, o mais mortal da história do país, matou 1.221 pessoas, e outras 251 foram sequestradas.

As Forças Armadas de Israel responderam ao atentado com bombardeios e com uma operação terrestre na Faixa de Gaza. O território palestino foi reduzido a escombros.

O governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu estabeleceu como objetivos destruir as capacidades militares e de governo do Hamas e libertar os reféns levados pelo grupo. Tel Aviv afirma desde então que seus ataques têm como alvo combatentes e estruturas militares e acusa a facção de instalar sua infraestrutura em áreas civis densamente povoadas.

Três anos depois, o tamanho da operação pode ser medido também pelo pouco que ficou de pé. A avaliação mais recente do Unosat, centro de satélites das Nações Unidas, identificou danos em 201.290 estruturas, o equivalente a 82% de todas as construções da Faixa de Gaza. A análise foi feita a partir de imagens registradas em 16 de junho deste ano.

Desse total, 134.422 estruturas foram classificadas como completamente destruídas. Outras 13.848 sofreram danos graves; 28.096, danos moderados, e 24.924 apresentavam possíveis avarias. O órgão estima ainda que 328.627 unidades habitacionais tenham sido atingidas. Imagens de antes e depois de diferentes pontos do território, divulgadas no fim de setembro pelo serviço do Google Earth, mostram ruas e bairros inteiros substituídos por terrenos cobertos de escombros.

A destruição continuou mesmo depois da entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro do ano passado. Na comparação com a avaliação feita pelo Unosat logo após o início da trégua, o número total de estruturas atingidas aumentou 1,5%. O de construções completamente destruídas, por sua vez, cresceu 9% entre outubro de 2025 e junho deste ano.

Um relatório do Unicef, fundo da ONU para a infância, calculou que 95,5% das 815 escolas de Gaza estavam danificadas ou destruídas ao fim de 2025. Uma avaliação conjunta publicada em abril pela ONU, pela União Europeia e pelo Banco Mundial indicou ainda que mais da metade dos hospitais não funciona e apontou moradia, saúde, educação, comércio e agricultura entre os setores mais atingidos.

A destruição dos campos agrícolas mina especialmente a capacidade de produção de alimentos. Com a maior parte das cidades também destruída, é em grandes descampados -que antes produziam comida- que palestinos puderam erguer tendas de abrigo.

Uma análise da FAO, agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura, e do Unosat concluiu que, em junho, apenas 3% das terras agrícolas de Gaza estavam intactas e acessíveis aos palestinos. Dos 4.091 hectares de áreas cultiváveis ainda acessíveis -ou seja, dentro da área delimitada pela “linha amarela” estabelecida por Israel-, somente 448 hectares não apresentavam danos.

Em paralelo à destruição sistemática, a ofensiva israelense também matou mais de 74 mil palestinos desde 2023, segundo números de autoridades controladas pelo Hamas. O cessar-fogo que nesta semana completa um ano reduziu a intensidade dos combates a partir de outubro de 2025, mas ataques e operações militares continuaram desde então. Mais de 1.400 palestinos foram mortos mesmo durante a trégua.

A reconstrução do território de Gaza, segundo ONU, União Europeia e Banco Mundial, vai exigir ao menos US$ 71,4 bilhões na próxima década. Só nos primeiros 18 meses seriam necessários US$ 26,3 bilhões, de acordo com o levantamento. Os danos físicos foram estimados em US$ 35,2 bilhões, e o relatório calcula que a guerra fez o desenvolvimento humano de Gaza retroceder 77 anos.

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