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Fim da taxa das blusinhas pode favorecer Paraguai

Fim da taxa das blusinhas pode favorecer Paraguai

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A indústria têxtil brasileira enfrenta uma nova pressão com o fim do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Desde maio de 2026, essas compras passaram a ter alíquota zero do imposto federal dentro do Remessa Conforme. O ICMS, porém, continua sendo cobrado.

A mudança tornou os produtos importados mais competitivos e aumentou a preocupação de empresas brasileiras com os custos de produção no país.

Nesse cenário, o Paraguai aparece como uma alternativa para parte da indústria.

O país possui o regime de maquila, que oferece condições tributárias diferenciadas para empresas que produzem para exportação.

O setor têxtil já ocupa posição importante nesse sistema.

Segundo o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, confecções e produtos têxteis representaram 16% das exportações da maquila no primeiro semestre de 2026.

O segmento empregava 8.363 trabalhadores no período.

O movimento também envolve empresas brasileiras.

Em 2026, 21 indústrias têxteis brasileiras participaram de um encontro no Paraguai para conhecer as vantagens do regime de maquila e as experiências de empresas que já produzem no país.

Há casos de empresas brasileiras que já transferiram parte da produção.

A Rovitex, por exemplo, utiliza uma unidade no Paraguai para corte, confecção e embalagem de roupas que depois são exportadas para cidades brasileiras.

O Paraguai também vem ampliando sua estrutura industrial.

Até julho de 2026, o sistema de maquila registrava 38.905 empregos vinculados e exportações de US$ 860 milhões no ano.

Isso não significa que a indústria brasileira esteja deixando o país em massa.

O que existe é uma combinação de fatores que pode estimular novas decisões de investimento no Paraguai.

Para empresas que trabalham com grandes volumes de roupas, custos de produção, impostos, mão de obra e logística podem pesar na escolha do local da fábrica.

O fim da taxa das blusinhas acrescenta outro elemento a essa conta.

Com produtos importados pagando menos imposto na entrada, a indústria brasileira pode enfrentar maior dificuldade para competir apenas pelo preço.

O resultado pode ser o aumento das importações, a busca por custos menores ou a transferência de parte da produção.

Para o consumidor, a mudança pode significar maior oferta de produtos importados.

Para a indústria brasileira, aumenta a necessidade de competir em preço, produtividade, qualidade e velocidade de produção.

O Paraguai, pela proximidade com o Brasil e pelo regime de maquila, passa a ser uma alternativa que algumas empresas já estão considerando.