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Flávio sai em defesa do Bolsa Família, bandeira de Lula, e diz haver preconceito contra beneficiados

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BRUNO RIBEIRO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O senador Flávio Bolsonaro fez elogios ao Bolsa Família, marca do governo Lula (PT), e prometeu promover mudanças no formato do programa para garantir pagamentos a pessoas que estavam no programa e passaram a ter renda.

Em um debate promovido pela revista Veja, nesta segunda-feira (15), em São Paulo, ele também confirmou que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro, fará parte de sua equipe de campanha, traçando estratégias para a área de responsabilidade social.

Durante o evento, Flávio afirmou que há preconceito com os beneficiários do Bolsa Família e disse que receber o benefício traz a ideia de segurança mesmo para aqueles que, depois do auxílio, obtêm outras fontes de renda.

“A gente tem que entender que tem uma memória afetiva, até. O Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: ‘olha, se eu arrumar um trabalho de carteira assinada e eu perder o Bolsa Família, e se eu perder o meu trabalho, como é que eu vou ficar? Vou voltar para aquela época que eu passava fome de verdade'”, disse.

“Então a gente tem que entender essa lógica que passa na cabeça das pessoas que precisam disso, reafirmar mais uma vez para elas que isso vai ser mantido e nós vamos potencializar essa garantia para estimular que as pessoas possam ter um emprego formal”, afirmou.

O senador tratou o programa como um “direito adquirido” dos brasileiros e afirmou que “qualquer país do mundo tem um programa para pessoas de baixa renda que têm dificuldade alimentar”.

Flávio também se disse favorável ao projeto petista de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, proposta que também foi feita, em 2018, pela campanha de seu pai, Jair Bolsonaro. Contudo, ele criticou a forma como o governo Lula está implementando a proposta.

“A única diferença é que, com Bolsonaro, certamente você teria uma compensação de abrir mão dessa receita quando você elevar o patamar da isenção do imposto”, disse. “Ou seja, com Bolsonaro você teria de onde tirar sem precisar aumentar ou criar impostos. O atual governo faz o contrário: esfola o público brasileiro, o contribuinte brasileiro, com elevadíssima carga tributária para poder cumprir essa promessa.”

Daniella Marques já vinha acompanhando Flávio em eventos para os quais ele tem sido convidado a discursar. Na semana passada, ela estava com ele em um almoço promovido pelo Grupo Voto.

A ex-presidente da Caixa tem sido apresentada pelo senador com destaque a um programa de microcrédito voltado a mulheres promovido pelo banco durante a gestão Bolsonaro. O senador, contudo, evitou cravar qual cargo ela tem em sua equipe – há expectativas, entre agentes do mercado financeiro, de que ele apresente em breve o nome do chefe de sua equipe econômica, como fez Bolsonaro com Paulo Guedes, em 2018.

“[Daniella] é uma pessoa que está se dispondo a estar próxima de nós. Não porque é mulher. É porque ela, para mim, é a melhor pessoa que tinha no time do Paulo Guedes. Então, tenho certeza de que muita coisa que o Paulo Guedes conseguiu implementar a Dani ajudou a construir e a viabilizar”, afirmou.

“É uma pessoa que eu respeito demais, em quem eu confio demais, está se dispondo a estar perto de nós na campanha e vai me ajudar não só nessa parte econômica, mas principalmente na pauta de mobilidade social”, disse Flávio.

Desde antes de ser conectado ao escândalo do Banco Master, após a revelação de áudios em que pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco, para financiar um filme sobre o pai, Flávio já tentava construir, em eventos fechados, a imagem de um “Bolsonaro moderado”, diferente do ex-presidente.
No evento desta segunda, Flávio disse que um dos problemas que identificava no governo do pai foi a relação com a imprensa, que prometeu melhorar.

“[O relacionamento com a imprensa] foi um dos problemas que eu identifico no governo do presidente Bolsonaro. O relacionamento com a imprensa, o preconceito muitas vezes de quem estava gerindo o orçamento para publicidade com relação a alguns veículos de comunicação”, disse Flávio.

“Isso, obviamente, tem que ser mudado radicalmente. É um aprendizado de uma coisa que eu acho que foi feita errada e que a gente não precisa repetir. Pode fazer muito melhor e assim será num possível governo meu”, complementou.

O senador foi questionado sobre o Master uma única vez, no início de sua entrevista, e respondeu dizendo que sua única relação com Vorcaro foi sobre o filme.

“A minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Eu vejo as coisas pelo lado bom, porque não tem outra coisa para falar de mim a não ser isso, que é algo que não tem absolutamente nada de errado. É uma relação privada, um investimento E a pessoa [Vorcaro] teria um retorno. E, se Deus quiser, muito em breve todos verão o filme aí. Ficou bem legal”, disse.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou de um a entrevista antes de Flávio entrar no palco e foi perguntado sobre a participação na campanha presidencial do senador -antes do caso Master chegar a Flávio, Tarcísio disse que coordenaria sua campanha no estado. Contudo, ao falar após a pergunta, o governador não citou o senador.

Flávio foi questionado sobre o distanciamento do governador e de outras figuras da direita brasileira, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. “Todos virão no momento que eles entenderem melhor. A realidade é que nós já estamos falando de campanha, estamos falando de eleição, mas a massa do povo brasileiro não está atenta para isso ainda.”

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