Uma mulher de 54 anos deu à luz uma menina nesta quarta-feira, em uma clínica de Atenas, na Grécia, a partir de um embrião congelado há 22 anos. O momento foi especialmente marcante porque o filho da mulher, que nasceu após o mesmo tratamento, em 2004, morreu em um acidente de trânsito em outubro do ano passado.
“Para Cristina Rapti-Tzelepi, o nascimento de hoje [quarta-feira] tem um significado emocional especial. Em 2004, após uma transferência de embriões, ela teve um menino saudável na primeira tentativa. Em outubro de 2025, a família sofreu a trágica perda do rapaz em um acidente de trânsito, aos 21 anos”, contextualizou o ginecologista Konstantinos Pantos, em uma publicação no Facebook.
O médico acrescentou que a mulher “decidiu aproveitar os embriões que permaneciam criopreservados desde seu tratamento inicial”, o que implicou “uma corrida contra o tempo”.
“Christina Rapti-Tzelepi teve que concluir os procedimentos necessários dentro do prazo e obter a autorização da Autoridade Nacional de Reprodução Assistida, respeitando o limite de idade em vigor para a reprodução assistida, que estabelece um prazo máximo de 54 anos. O caso de Cristina Rapti-Tzelepi destaca as possibilidades da moderna criopreservação de embriões, mas também a necessidade de que o cumprimento rigoroso das regras seja acompanhado por uma avaliação cuidadosa das circunstâncias específicas de cada mulher. Quando uma mulher enfrenta uma perda pessoal tão grave, a falta de flexibilidade e os prazos apertados podem transformar um processo que já é difícil em uma exaustiva corrida contra o tempo”, avaliou o profissional de saúde.
Konstantinos Pantos informou ainda que a menina nasceu na maternidade Mitera, com 39 semanas e 2 dias de gestação, pesando 3.490 gramas. A transferência do embrião, que havia sido criopreservado em 17 de março de 2004, foi realizada na véspera de Natal, em 23 de dezembro de 2025, na clínica Genesis, em Atenas.
O nascimento “está associado ao caso de criopreservação de material genético autólogo de maior duração já publicado internacionalmente que resultou no nascimento de uma criança”. O médico especificou que “desde a criopreservação até o dia de hoje se passaram 22 anos, 5 meses e 23 dias”, enquanto “o período mais longo anteriormente publicado internacionalmente foi de 18 anos e 3 meses, no Japão”.
“De acordo com a revisão da literatura realizada pela equipe científica da Genesis de Atenas, não foi encontrado, na literatura científica internacional publicada e revisada por pares, nenhum caso registrado de gravidez e nascimento bem-sucedidos após um período de criopreservação de embriões tão longo”, afirmou. Por isso, os pesquisadores já reuniram os dados clínicos e laboratoriais do caso e pretendem submetê-los para publicação em uma revista científica internacional.
“O nascimento da filha de Cristina Rapti-Tzelepi constitui um avanço clínico e científico particularmente significativo. Ao mesmo tempo, é uma história de resiliência, amor e esperança, à qual nos dedicamos com absoluto respeito pela trajetória pessoal da família. A medicina deve funcionar com regras e segurança, mas também com humanidade. Cada caso tem sua própria realidade, e os procedimentos institucionais precisam ser capazes de levá-la em consideração de forma concreta e com flexibilidade, especialmente quando o tempo não está a favor da mulher”, resumiu Konstantinos Pantos.
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