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Hantavírus: Como será feito desembarque de passageiros nas ilhas Canárias

Hantavírus: Como será feito desembarque de passageiros nas ilhas Canárias

O Ministério da Saúde da Espanha confirmou que decidiu receber os passageiros do navio de cruzeiro Hondius, onde já foram confirmados pelo menos sete casos de hantavírus.

A decisão, segundo o governo espanhol, foi tomada com base no cumprimento do Direito Internacional e em um espírito humanitário.

O processo, no entanto, será realizado seguindo procedimentos e regras específicas, em uma operação que gera algumas preocupações.

Vale lembrar que, a bordo do navio, várias pessoas podem estar infectadas com a síndrome respiratória por hantavírus, que já causou três mortes.

Por que Espanha?

O navio partiu da Argentina com destino a Cabo Verde, com mais de 140 pessoas a bordo. Foi lá que os primeiros casos da doença foram diagnosticados, embora se acredite que a infecção original tenha ocorrido fora da embarcação.

A OMS considera que Cabo Verde não tem condições para realizar essa operação, e a escolha das Ilhas Canárias se deve ao fato de ser o local mais próximo com a infraestrutura necessária.

“A Espanha tem a obrigação moral e legal de ajudar essas pessoas, entre as quais também há cidadãos espanhóis”, afirmou a OMS.

Como será feito o desembarque?

A operação de desembarque será realizada em coordenação com a União Europeia. O governo espanhol divulgará os detalhes do protocolo assim que forem definidos pela OMS e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

Por enquanto, sabe-se, segundo o ABC, que está sendo feita uma inspeção detalhada no navio para identificar quais pessoas precisam ser retiradas com urgência em Cabo Verde — como é o caso de um médico em estado grave.

Os demais passageiros seguirão viagem até as Ilhas Canárias, onde a chegada é esperada dentro de três ou quatro dias. O porto específico ainda não foi definido, informou o Ministério da Saúde. Ao chegarem, tripulação e passageiros serão devidamente examinados, atendidos e transferidos para seus respectivos países.

O processo será coordenado por meio de um protocolo comum de gestão de casos e contatos elaborado pela OMS e pelo ECDC.

Tanto o atendimento médico quanto o transporte serão realizados em locais e meios especiais preparados para essa situação, evitando qualquer contato com a população local e garantindo a segurança dos profissionais de saúde, segundo a imprensa espanhola.

Antes disso, os casos suspeitos que ainda estão a bordo serão retirados em aeronaves médicas para tratamento em unidades de alta contenção. Os dois casos sintomáticos serão encaminhados para os Países Baixos a partir de Cabo Verde. Um contato de alto risco será colocado em quarentena na Alemanha, informou o ministério liderado pela ministra Mónica García.

O desembarque vai acontecer?

Apesar da confirmação do Ministério da Saúde espanhol sobre o recebimento do navio nas Ilhas Canárias, o líder do governo regional já se posicionou contra a decisão e pediu uma reunião urgente com o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

Fernando Clavijo quer evitar que o cruzeiro com o surto de hantavírus faça escala nas ilhas, argumentando que a decisão não segue “nenhum critério técnico” e que não há “informações suficientes para transmitir uma mensagem de tranquilidade e garantir a segurança da população canária”.

O navio, com 149 pessoas de 23 nacionalidades, fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde partiu em 20 de março, e as Ilhas Canárias, com paradas no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

A OMS confirmou até agora dois casos de hantavírus no cruzeiro e cinco casos suspeitos.

Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contato próximo com o passageiro que morreu em 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e levado para Joanesburgo, onde está em estado grave na UTI.

Os cinco casos suspeitos incluem dois passageiros que morreram (um homem em 11 de abril e uma mulher em 2 de maio) e três pessoas que continuam a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, sendo dois membros da tripulação.

O que é o hantavírus?

Os hantavírus podem ser transmitidos de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou partículas liberadas pela urina, fezes ou saliva de roedores infectados, especialmente em ambientes fechados ou mal ventilados.

Nas Américas, alguns tipos de hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave caracterizada por febre e sintomas gerais, seguidos por insuficiência respiratória aguda.

A maioria dos hantavírus não é transmitida de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, registrado principalmente em partes da América do Sul e que já demonstrou capacidade de transmissão entre humanos.

Ainda não se conhece a origem da infecção neste cruzeiro, nem qual variante específica do hantavírus está envolvida.

A OMS avalia, no momento, que o risco desse surto para a população global é baixo.

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