BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Seis jovens de 18 a 22 anos foram detidos após invadirem um prédio da administração central da USP na noite desta segunda-feira (8), na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo. A ação foi realizada por um grupo dissidente do movimento grevista horas depois de uma assembleia com mais de 500 estudantes decidir pelo fim da paralisação iniciada em abril.
Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública do estado), os envolvidos foram levados ao 7º Distrito Policial, prestaram depoimento e foram liberados, por volta das 2h da manhã desta terça-feira (9). Os nomes deles não foram divulgados.
A reportagem procurou a USP para obter um posicionamento sobre a invasão, os danos registrados no prédio, o estado de saúde dos seguranças feridos e eventuais medidas que serão adotadas pela universidade em relação aos envolvidos. A universidade declarou que ainda levanta as informações.
De acordo com a SSP, cerca de dez manifestantes ocuparam os blocos K e L da administração central da universidade e bloquearam os acessos ao local com barricadas. O grupo se apresentava como independente e dizia não ter ligação com as entidades estudantis que conduziram a greve iniciada em 14 de abril.
A PM foi acionada. Os manifestantes estavam encapuzados, carregavam pedaços de madeira e outros objetos e entraram em confronto com agentes da guarda universitária. Três seguranças ficaram feridos durante a ocorrência, conforme a SSP, e precisaram de atendimento médico no Hospital Universitário.
Os policiais dispersaram os manifestantes e detiveram seis jovens. Durante a ação, foram apreendidos fogos de artifício, porretes, rádios comunicadores, um megafone, uma marreta, um estilingue e outros objetos que, segundo a secretaria, eram utilizados durante a ocupação.
A perícia foi acionada e constatou danos em mobiliários e equipamentos da univers idade. O caso foi registrado no 7º Distrito Policial, na Lapa, como lesão corporal de natureza grave e dano ao patrimônio público.
A invasão ocorreu no mesmo dia em que estudantes reunidos em assembleia geral decidiram encerrar a greve unificada que mobilizava diferentes unidades da USP desde abril.
O Diretório Universitário informou que mais de 500 alunos participaram da votação. Apesar do fim da paralisação, os estudantes aprovaram a continuidade de duas campanhas: contra eventuais punições aos grevistas e pela saída do reitor, Aluisio Segurado.
ENTENDA A GREVE
A greve dos estudantes foi uma das maiores mobilizações estudantis da USP na última década, com a adesão de 43 unidades e episódios como a invasão da reitoria, em maio, quando a Polícia Militar foi acionada para retomada do espaço e usou bombas, gás e corredor polonês para a retirada dos alunos.
O movimento surgiu em meio à insatisfação com a criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), bônus destinado a docentes, mas rapidamente passou a concentrar suas reivindicações em temas relacionados à permanência estudantil.
A principal demanda dos estudantes era o aumento do valor do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), destinado a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Os estudantes grevistas defendiam inicialmente a equiparação do benefício ao salário mínimo paulista, R$ 1.874; posteriormente, reduziram a reivindicação para R$ 1.096 mensais.
A reitoria ofereceu um reajuste do auxílio de R$ 885 para R$ 912, valor correspondente à recomposição inflacionária acumulada desde 2022. A administração também anunciou medidas voltadas a melhorias no Crusp (Conjunto Resi dencial da USP) e à ampliação de canais de diálogo com os estudantes.
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