RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, e mais cinco pessoas tornaram-se réus sob acusação de integrarem um esquema de corrupção, tráfico de drogas e contrabando ligado ao Comando Vermelho, apurado pela Operação Zargun.
A decisão foi tomada por unanimidade, com seis votos, pela 1ª Seção do TRF2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) nesta quinta-feira (10), a partir de denúncia do MPF (Ministério Público Federal).
A decisão também determinou a transferência de TH Joias para uma penitenciária federal.
Segundo o MPF, o grupo mantinha uma organização estável, com integrantes infiltrados na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e em secretarias estaduais, voltada ao comércio ilegal de armas trazidas do Paraguai para comunidades do Rio de Janeiro. A denúncia também atribui ao grupo tráfico de drogas, contrabando de equipamentos anti drone e corrupção de agentes públicos, com ocupação de cargos no serviço público, vazamento de dados policiais e facilitação de vantagens ilícitas.
Em declarações dadas durante a investigação, o advogado Rafael Faria, que atua na defesa do ex-deputado, negou a participação do réu em vazamentos ou informações a organizações criminosas. Ele não respondeu aos contatos feitos por telefone e mensagem nesta sexta (11).
Um dos pontos centrais da apuração é a importação clandestina de bloqueadores de sinal de drone, equipamento de uso proibido para pessoas físicas e empresas. De acordo com o MPF, os aparelhos eram usados para sabotar o monitoramento durante operações policiais nas comunidades.
Além de TH Joias, tornaram-se réus Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel.
A reportagem tenta localizar a defesa dos outros réus. Até a publicação desta reportagem, o Tribunal de Justiça não havia informado quem são os advogados que respondem por cada um dos acusados.
Pelo MPF, TH Joias responde por organização criminosa majorada, tráfico de drogas (3 vezes), contrabando de equipamentos (11 vezes), corrupção ativa (13 vezes) e comércio ilegal de arma de fogo e munições.
Gabriel é acusado de organização criminosa majorada, tráfico internacional de armas de fogo, comércio ilegal de arma de fogo e munições, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, disparo de arma de fogo, tráfico de drogas, contrabando de equipamentos e corrupção ativa.
Dudu responde pelos mesmos crimes que Índio, com exceção da posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e do tráfico internacional de armas de fogo.
Já o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel são acusados de organização criminosa majorada e corrupção passiva, sete vezes no caso de Carracena e seis vezes no de Stteel. A reportagem tenta contato com a defesa dos réus.
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