SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Justiça Federal em São Paulo determinou nesta terça-feira (7) a soltura de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo de operação da Polícia Federal na semana passada sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Ela estava presa temporariamente. A decisão que a colocou em liberdade apontou não haver motivos para converter sua prisão em preventiva (sem prazo) e afirmou que as outras medidas restritivas, a exemplo do bloqueio de bens, já são suficientes para a investigação até o momento.
O advogado Robson Cyrillo, que defende Stella, declarou em nota que “não comentará o conteúdo da decisão nem os elementos constantes dos autos em respeito ao segredo de Justiça que recai sobre a investigação”.
Afirmou também que “recebe a decisão com respeito e serenidade” e “reafirma sua confiança de que a inocência de Stella será plenamente demonstrada no decorrer da investigação”.
A decisão que revogou a prisão temporária de Stella fez o mesmo para seis investigados. Para outros seis, por sua vez, a Justiça decretou a prisão preventiva.
Entre os que permanecerão com mandado de prisão ativo está Victor Shimada, o principal alvo da operação de semana passada e para quem Stella Nunes de Oliveira trabalhava. Ele está foragido. A defesa dele declarou à Folha nesta quarta (8) que pretende entrar com um habeas corpus para revogar a prisão.
Na quarta (1º), tanto Stella como Shimada foram alvos de sanções dos Estados Unidos por uma suposta ligação com o PCC, organização criminosa que o governo de Donald Trump passou a considerar terrorista no início de junho.
As investigações contra Shimada no Brasil o apontam como o controlador de uma rede de lavagem de dinheiro montada a serviço do tráfico de drogas.
Operava por meio de duas empresas -a Wave Intermediações, registrada em nome de terceiros, e a Victory Trading, da qual é sócio- usadas para receber e dissimular recursos de origem ilícita. O nome dele surgiu na Operação Saturno, inquérito da Polícia Civil de São Paulo que começou em 2024.
O relatório final, remetido à Justiça em maio, sustenta que a estrutura de Shimada se cruza com outras grandes investigações em curso no país: as fraudes do INSS e do Banco Master e a Operação Carbono Oculto, ainda que indiretamente.
Parte das ligações se dava pelas chamadas contas “bolsão”, usadas para lavar dinheiro de diferentes origens criminosas segundo as investigações.
Shimada já era conhecido da Justiça e chegou a ser preso no fim de 2024 acusado de desviar R$ 35 milhões do banco Votorantim.
A decisão que decretou sua prisão, assinada pela juíza Bárbara de Lima Iseppi, concluiu que mantê-lo em liberdade seria um risco à ordem pública e à própria condução das investigações.
Acabou solto 25 dias depois, ao conseguir um habeas corpus no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).
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