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Kim Kataguiri diz que PM deveria “descer a borracha” em alunos da USP

Kim Kataguiri diz que PM deveria “descer a borracha” em alunos da USP

O deputado federal Kim Kataguiri (Missão), pré-candidato ao Governo de São Paulo, defendeu uma ação mais dura da Polícia Militar contra estudantes que ocupavam a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) e afirmou que os envolvidos deveriam ser expulsos da universidade e responder criminalmente pelos atos.

A declaração foi dada após a operação da PM realizada na madrugada de domingo (10), que retirou alunos do prédio ocupado havia três dias. Segundo relatos de estudantes, policiais entraram no local com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. Quatro alunos foram detidos.

Para Kim, a ação policial deveria ter ocorrido antes mesmo da instalação das barracas no prédio da reitoria. “A polícia deveria ter descido a borracha antes de a primeira barraca ter sido colocada no chão”, afirmou à reportagem.

O parlamentar também criticou o movimento grevista, iniciado em 15 de abril e que já atinge mais de cem cursos da USP. “Não existe greve estudantil. Ninguém tem o direito de impedir professores de trabalhar e estudantes de estudar, não importa qual seja a reivindicação”, disse.

Kim afirmou ainda que, caso seja eleito governador, não negociaria com os manifestantes. Segundo ele, sua gestão atuaria para expulsar os participantes da ocupação e responsabilizá-los judicialmente. “A USP é de todos os pagadores de imposto do estado de SP, não é propriedade privada de meia dúzia de ‘revolucionários’ de DCE”, declarou.

As reivindicações dos estudantes incluem aumento da bolsa permanência, destinada a alunos de baixa renda, de R$ 885 para cerca de R$ 1.000, além de melhorias nas moradias estudantis e nos restaurantes universitários.

A operação da PM gerou críticas da própria USP, que afirmou não ter sido avisada previamente sobre a ação e repudiou a entrada dos policiais no campus. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que a operação contou com 50 agentes, ocorreu após o “esgotamento das tentativas de diálogo” e teve “uso moderado da força”.

Apesar disso, estudantes relataram agressões e a reportagem contabilizou cinco alunos internados no Hospital Universitário após a ação.

Enquanto Kim adotou discurso de confronto, outros nomes cotados para disputar o Palácio dos Bandeirantes evitaram endurecer o tom. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não comentou nem a greve nem as acusações de truculência policial.

Já o ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou, em nota enviada após a publicação da reportagem original, que “as cenas vistas no domingo revelam falta de diálogo e apontam para a falência dos canais de escuta”.

Outro pré-candidato ao governo paulista, o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB), disse que as reivindicações dos estudantes devem ser feitas com respeito ao patrimônio público, mas defendeu a apuração de possíveis excessos policiais.

Kim Kataguiri deixou o União Brasil em março deste ano para se filiar à Missão, partido criado pelo MBL (Movimento Brasil Livre), grupo do qual é um dos fundadores.

 

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Folhapress | 04:00 – 12/05/2026